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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

A friendly society  


O social momentum atinge o coração da democracia britânica como se fora uma bomba das Wehrmacht em pleno Blitzkrieg ou um choque palaciano entre Wallis Simpson e a Queen Mother. − Oo là là!  O Labour Party de Clement Richard Attle derrota as hostes eleitorais conservadoras no Verão de 1945. − Yeah! Could anyone predict something like that!? A falta de reconhecimento da nação britânica pela liderança de Winston Churchill impressiona até o regimento real. Escreve Peter Hennessy sobre a receção do PM em Buckingham Palace: "After some minutes in silence (…), Attlee finally volunteered the remark "I've won the election." The King [George VI] replied "I know. I heard it on the «Six O'Clock News»".

 

O discurso da vitória na II Guerra Mundial – “Peace on Earth” - é feito por Mr. Attlee. Mudara a leadership of the country, mesmo após o próprio Sir Winston concluir na BBC que “never was so much owed by so many to so few”! Porém, a contagem dos sufrágios para a House of Commons é claríssima. Os trabalhistas obtêm 393 lugares face a 197 dos conservadores e 12 dos liberais, com 239 distritos eleitorais a virarem à esquerda. O voto feminino é decisivo entre o Labour people.

 

Pela primeira vez na história ocidental, os socialistas ganham uma maioria absoluta e completam a legislatura. – Hmm! Logo no sistema de Westminster, com o país semidestruído, os bens racionados e as gentes em sofrimento. O esforço da guerra continua, pois, sentencia o “little man”. Mas agora pelo “full employment” e contra “five giant evils”: a miséria, a ignorância, a necessidade, a ociosidade e a doença. Como? O ‘Keynes Memorandum’ aponta para um “financial Dunkirk”; o ‘Beveridge Report’ arquiteta a criação do “welfare state”; Attlee visiona “a friendly society”.

 

Mr. Clem Attlee é um caso político notável, mesmo na notabilíssima geração do inter-guerras. O sucessor de Churchill e seu War’s Deputy Prime Minister é o sétimo dos oito filhos de um solicitador londrino, Oxford educated e com uma sólida formação política iniciada em 1907 no Independent Labour Party. Os ideais socialistas não devem ao marxismo; são dickensianamente forjados no trabalho social junto dos miseráveis de East London. Sidney Webb distingue-o com um lugar na London School of Economics. A I Guerra Mundial (1914-19) chama-o para o serviço militar. Serve em França, é ferido na Mesopotâmia e é o penúltimo oficial a abandonar Gallipoli – o desastre turco de sir Winston, cuja correção estratégica, não obstante, reconhece. O que vira nas trincheiras reconduz o agora major à política ativa como mayor da pobríssima Stepney, na agitada London de 1919. Publica o fundacional The Social Worker (1920) e inicia um curso que o leva à liderança de 20 anos do Labour e à premiership.

 

  

 

O homem importa, e não apenas as instituições. – But, can you quite understand a man as such? Lacónico por natureza, quando Attlee fala faz-se ouvir e quando decide cuida que lhe obedecem. Sabe e não receia: é um decisor e não um diletante. Harold Wilson retrata-o nas suas Memoirs: “He was in full control of himself, his Cabinet and the House. His answers in Parliament were concise and clear, with a tight little sense of humour.” And was sharp. Do comunismo russo observa ser “the illegitimate child of Karl Marx and Catherine the Great” (1956) e considera que a democracia moderna “means government by discussion, but it is only effective if you can stop the people talking” (1962). Mais: como “the Press lives on disaster”, o omnipresente comentador político da hora – no caso o famoso Harold Laski, entre outras coisas, um agitador e teórico da propaganda –, merece-lhe doce comentário: “A period of silence on your part would be most welcome” (1945). – A serious case, in fact!


St James, 4th September

 

Yours very sincerely,

 

V.