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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

The British spirit

 

Setembro contém memórias especiais para os Londoners. Cerca de 13% da população abandona a cidade só em 1940, rumo ao countryside, na sequência do acentuar da II Guerra Mundial (1939-45). Children and women first, como comanda a pauta da gentlemanship − a code-word inglesa para a pauta universal da dignidade humana (basicamente: respeito por si e pelos outros, em quaisquer circunstâncias). – Et voilà! London é bombardeada durante 57 noites consecutivas; a Luftwaffe lança 100 toneladas de explosivos nos major raids. Cerca de um milhão de casas são destruídas e mais de 43,000 civis são mortos, metade dos quais na capital. – Good Lord! A long and rocky road só terminará com a rendição germânica, a derrota das potências do Eixo e o julgamento da elite nazi por crimes contra a Humanidade.

 

 

 

Herr Adolph Hitler e um glorioso estado-maior, onde pontuam nomes da geopolítica como o general Karl Hausoffer, cedo ordenam o bombardeamento estratégico sustentado contra o United Kingdom. As hostilidades deflagram em Setembro de 1939 e Mr Winston Churchill assume a premiership em Maio seguinte, liderando an all-party government entre conservadores, trabalhistas e liberais. "I have nothing to offer but blood, toil, tears and sweat," afirma na House of Commons. Outras grandes cidades como Birmingham, Liverpool e Plymouth ou Bristol, Glasgow, Southampton e Portsmouth são massacradas. Coventry vê a antiga cathedral arruinada. Se ambos os lados rezam ao mesmo Deus, há, porém, um mundo de diferença entre as partes beligerantes. Assim: as crianças são enviadas para a retaguarda quando as bombas caem sobre London, mas, quando baixam sobre Berlin, é a juventude de fardeta mandada combater com armas que desconhece. Esta é uma linha crucial que separa a civilização da barbárie.

 

 

 

A proteção das pessoas alia-se à defesa do território e à estratégia de vitória. Os petty politicians de ontem emergem já, senão como great men, pelo menos como great examples. A estratificada sociedade britânica – e é preciso conhecê-la – apresenta-se como one nation. Sob os bombardeamentos, “people die randomly.” Muitos dos que haviam contendido na Guerra de 1914-19 regressam às armas, ora auxiliados por uma nova geração de combatentes. A decência, consciência, inteligência, coragem e grandeza das elites e das gentes inspiram ainda em todos os tempos e lugares. É a resposta inteira à selvajaria do paradigma da atrocidade. Esta é uma outra linha fundamental que separa a razão da desrazão. Setembro rememora a formidável objeção do British spirit ao "fire and forget" do German blitz. As bombas visam alvos civis e económicos para semear o caos e quebrar o morale na home front. Private and public narrative forms dizem da finest hour. “It was Hitler’s belief that the war from the air would terrorise London into defeat,” escreve Jon E Lewis. – The Nazi leader was wrong.

 

 

St James, 18th September

 

Very sincerely yours,

 

V.