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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

The Operation Musketeer Revise, 1956

 

 

O script da ‘Sinai Campaign’ quase faz concorrência desleal ao melhor de 007, personagem novelesco criado há 50 anos pelo irmão de Peter Fleming, a quem o Scotch Sean Connery deu voz e Daniel Craig empresta agora o estilo em película com première no Royal Albert Hall. – Adorable James Bond! Assim a trama: Conspiração – traição – gestão de crises; bombardeamento aéreo – desembarque – retirada das tropas. Estes são os trepidantes 3-steps das manobras política e militar da Suez Crisis, code-named Musketeer Revise, com Mr Anthony Eden transmutado como “a nervy Prime Minister,” o general Moshe Dayan incensado a herói das “Arab-Israeli wars” e o Presidente Gamal Abdel Nasser investido no papel de “a Egyptian Mussolini.” Só falta aqui um finale à medida do herói do MI5. – Humm, nothing to say. Na realidade, at the end of the day, o imbróglio no Middle East substitui o Empire’s great game pelo xadrez da Cold War. Isto é: determina o fim dos impérios europeus no resto do mundo, um a um, às mãos do condomínio USA-URSS.

 

O uso da força nas exotic lands tão ao gosto de Mrs Agatha Christie tem desfecho não feliz. Embora formally independente, o Egipto é domínio de Her Majesty desde a infraestrutura projetada em 1869 por M Ferdinand de Lesseps. Tudo muda desde então nas global trade routes. Cerca de 2/3 do fluxo petrolífero passa pelos míticos Gates of Gaza. Nos 1950s, todavia, sopra ali o decolonization wind que, pela mão de Lord Mountbatten, libertara a Índia de Jawarharlal Nehru. Pouco vale já o “percentages deal” acordado em 1944 por Sir Winston Churchill com Mr Franklin Roosevelt e Mr Joseph Stalin, nomeadamente face ao nuclear sabre de Washington ou Moscow. Mas contra o new state of affairs que ameaça a national solvency tocam os Tory drums.

 

 

Em 1956, November 5 forças anglo-francesas invadem o estratégico istmo entre o Mediterranean e o mar a que os Portugueses chamaram Roxo, após sigiloso conluio entre London, Paris e Telaviv para decapitar o emergente nacionalismo africano. O ‘Sévres Protocol’ coloca os USA in the dark e projeta finalmente as United Nations para a ribalta mundial. Há aqui sombras. O caso ainda hoje contém pontas soltas, com muita finance e intelligence (& lies) à mistura. Se os planos são secretos, como usam as chancelarias na “age of treachury”, mesmo transcorridos os legal 30-years para acesso público, decide Lady Thatcher que sejam “kept under lock and key,” apenas Mr Tony Blair abrindo em 2006 tais arquivos – aliás, incompletos.

 

Nestes dias da Royal British Legion’ poppy nas lapelas a aproximar dos custos das ações humanas, eis a turning point na balança de poderes que hoje está em mutação planetária sob novas bandeiras e velhíssimas manobras. O Suez constituiu-se um pesadelo. A intervenção militar divide a nação, augurando os Cambridge spies e o better red than dead. Países da Commonwealth distanciam-se. A Eisenhower Administration mobiliza até os mercados contra a sterling pound. Na leitura rosa temos a militar sucess e a political failure; na azul vê-se a militar failure e a political fiasco.

A proeza traga o “Churchill’s crown prince” nos Tories e em Westminster.” Eden cede o lugar a Mr Harold Macmillan um mês após a retirada militar. Pior, porém: A soberania britânica não é mais a mesma depois das areias egípcias e o mesmo para a Europa. A Suez Crisis explica sobre o West decline no mundo moderno. Algo que, desde Lord James Bryce, é a lesson for all in all times.

 

St James, 30th October

 

Very sincerely yours,

 

V.