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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Um atento contrato social

Os novos orgulhos nacionais baseados na consciência dos próprios feitos, exprimem o universalismo raquítico e poderoso de um mando.

Esta ordem entende-se possuidora de critérios que definem o bem e o mal no hoje, no amanhã, e em todos os países onde este mando chegar. Este mando educou-se para se limpar de máculas que impedissem o seu poder de se fazer respeitar.

Assim se chega também à obediência, ao monólogo que, arrogante, só se avalia para se reforçar.

Faz parte do jogo do mando ser-se cego às circunstâncias e à interpretação da validade das mesmas.

A receita campeã reside no exigir e exibir a obediência, aumentar a pressão, não permitir respirar ou questionar, e depois de desqualificar os direitos de um povo e outro e outro, a precaridade das horas faz o restante trabalho.

A pertença à Europa a partir da conquista do mando já nem faz mais sentido por parte de quem é o próprio mando. Afinal nunca houve interesse em recuperar economias, mas sim em endividá-las, pois a nova norma da estabilidade é a do austero colapso por conta do mau comportamento dos cidadãos que, ou baixam o custo miserável da mão- de- obra, ou respondem pelo desemprego e por todas as indizíveis agruras que possam ter de suportar.

Mas eis que a doença reage ao remédio que não pediu. A Europa não é alemã.

 

E a Europa reage tão só por ter conhecimento que naquela Primavera de 2013 se deve iniciar o novo contrato europeu. Aquele que se não faz contra a vontade dos cidadãos, mas antes pela sua inequívoca vontade de viver a liberdade e a qualidade de vida, no círculo da partilha dos valores desta Europa cheia de gente de bem, e que de sofrida já bastou qualquer caminho de inferno que tenha passado por uma guerra.

 

E quem diz Europa, passe a dizer nomes. A Europa não tem costas largas para votos de cerneira.

 

E quem diz Europa, diga nomes. E quem diz contrato social europeu, saiba que só as diferenças o constroem como europeu e não como nacional de um país que quer ser europeu para ser a única europa.

 

Na universidade digo aos meus alunos

«Impronunciável deveria ser, ter de mencionar expressamente, que nunca em nome da Europa algum país ditará quais os interesses nacionais das democracias europeias.»

 

E a salvação nasce do perigo. E conhecer as nossas limitações agora, poderá ser a lança pró-europeia purgada de submissão: a que se lança no grande voo dos laços de pertença à Europa no mapear dos cafés de George Steiner.

 

A civilização é o respirar da cultura e esta, lente bastante que protege os fracos de se destruírem a si próprios, ou de não reconhecerem as bestas “quase perfeitas” que se geram na escuridão, tirando proveito dos incautos, dos erros e distracções da humanidade, dos entorpecidos que, às vezes, tardiamente almejam o alerta total.

 

Mas esta civilização ainda está na sua infância, e o totalitarismo e o significado da luta eterna contra ele, fará a grande experiência de um diferente destino europeu.

 

 

 

M. Teresa Bracinha Vieira

Março 2013