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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Manuel Bandeira: nasceu no Recife na Rua da Ventura e desde logo foi Verão.

 

Lê Charles de Guérin, Goethe entre muitos outros e é muito influenciado pelo parnasianismo que constitui um movimento literário, essencialmente poético, e pelo qual os autores procuravam recuperar valores estéticos da antiguidade clássica. Monte Parnaso é a montanha que, na mitologia grega era consagrada às musas e a Apolo.

 

Custeia vários dos seus livros e finalmente em 1940 com 54 anos de idade é eleito para a Academia Brasileira de Letras.

 

Manuel Bandeira um dos grandes nomes da poesia moderna brasileira conhece Paul Éluard e Gala que se casaria com Éluard e depois com Salvador Dali.

Mas naquela manhã, Bandeira acha que existe um lugar onde as pessoas se sentem bem, talvez por ser um lugar que desarma solidão e infelicidade o bastante, para se dever evocar o sonho de um país imaginário.

E esse lugar é Pasárgada     e escreve Manuel Bandeira:


Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

 

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

 

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d ‘água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

 

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

 

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

 

E dentro de Manuel Bandeira, neste lugar, tudo lhe foi claro: diria.

 

TERESA VIEIRA