HERMAN MELVILLE
Este escritor, poeta e ensaísta norte-americano esquecido depois do início de uma auspiciosa carreira, vem a falecer em 1891 , aos 72 anos, sem conhecer o sucesso da sua obra, o romance Moby Dick. O imenso fracasso de vendas desta obra, determinou que o editor recusasse publicar um outro romance que Melville lhe entregara e que o inédito Billy Budd, que esteve guardado numa lata durante 30 anos, viesse apenas a ser publicado em 1924, tendo sido adaptado para ópera, e, mais tarde, para o cinema , pela mão de Sir Peter Alexander von Ustinov.
Eugénio de Andrade escreveu:
“Penso na pequena praça de Tarifa onde o vento chega sempre antes de mim. Tem a minha medida: três muros de cal voltados ao mar. Aí queria encontrar-me com Melville, e com mais ninguém. Um dia direi porquê.”
Pela Assírio & Alvim li, numa selecção, tradução e introdução de Mário Avelar, uma obra poética de Melville, sempre considerado como um poeta difícil pelo seu intenso fascínio na escrita, particularmente, na escrita de poemas de breve extensão e de grande sensibilidade estética chegou-me em hora certeira.
Sempre se entendeu ser Melville um poeta que levantaria a questão da tradução ou da versão, como bem nota Mário Avelar. De resto as próprias rimas expostas em intertextualidade tornam a narrativa numa difícil relação familiar.
Aqui me honro de dizer algo do que li. Aqui te leio Herman Melville e aqui te dou a ler como também foi teu céu.
SEIXOS
I
Embora nos Céus Deus insista
E designe a lei do tempo,
A pintada e a candeliça sabem
Que os ventos sopram como lhes aprouver
Na tempestade ou na tormenta
II
Velhos são os credos e caducas as escolas
(…) Os Mares inspiram-na, e a Verdade –
A verdade, jamais da semelhança se desvia.
A CANÇÃO DE LAMIA
Desce, desce!
Suave é o caminho descendente –
Dos teus solitários Alpes
Com invernosos cumes
Para junto de nossos mirtos nos vales de Maio.
Caminha então, caminha:
Montanhês, desce!
E mais do que uma coroa será a tua paga.
Vem, ah, vem!
Com as cataratas vem,
Esse hino ao vaguearem,
Quão suave é o caminho descendente!
Com Melville sempre a confirmação do quanto a minha ideia de árvore pertence ao arbusto como a memória quando a repenso, bem como quando dela me alheio.
Teresa Bracinha Vieira
Dezembro 2014
