POESIA ÁRABE

Capa livro «La Poèsie Arabe» de Khawam (Seghers)
2. DJAMIL
Diz R. R, Khawam, na sua antologia "La Poésie Arabe" ( Seghers, Paris, 1960): (?-82-701), poeta nómada, pertencia à célebre tribo dos Banu-Odra, arautos da antiga poesia cortesã, dos que não podiam amar sem morrer de amor. Celebrou a jovem e bela Butaina, cuja mão não conseguiu obter...
Fiel...
De ti guardarei sempre o teu segredo,
e a mim tua saudade me quer bem,
e são meses os dias de degredo,
quando notícia tua já não vem...
E eu morrerei de morte nesse dia
em que já mais vier o teu abraço
e o teu amor, chama que me alumia,
só de cinzas encher nosso regaço...
À tua espera fico, e da promessa
que o pobre viu e crê que o rico deva,
sem que o seu credor nada mais lhe peça
além da dívida por ambos feita...
Como à nuvem o vento não lhe leva,
faltando a chuva, o raio que a enfeita...
Foi este poema escrito em métrica kâmil (ou verso perfeito) com rima em rî, com catorze versos. Traduzi-o - a partir de versões literais em prosa francesa e inglesa - tentando respeitar o título e a intenção FIEL, e livremente pondo-o em catorze versos portugueses, num soneto. Apesar de muito livre, parece-me bem fiel a tradição...
Camilo Martins de Oliveira