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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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NATÁLIA CORREIA

Natália Correia.JPG

“Contos inéditos e crónicas de viagem” chega até nós em 2005 pela Editora A.M. Pereira na sequência da edição sistematizada da obra inédita de Natália.

Em 3 partes nos surge o “Filme Tragicómico da Vida das Praias” e justamente na III parte, Natália Correia escreve assim:

Faltam apenas minutos para o comboio chegar. Mãe e filha, em sua trágica saída de sandeiros, abandonam finalmente o campo de batalha matrimonial. Verdadeiros soldados vencidos levam, a pobre mãe mais um espinho cravado em seu coração dilatado pela dor; a filha, maldizendo aquele atrevido com quem perdera o melhor do seu tempo, arrasta a heróica resignação dos vencidos mas não convencidos.

O comboio chega e parte em seguida.

Lá longe, na estação da grande cidade, um pobre homem, bacilo duma repartição anónima irá esperá-las. Os seus olhos inquietos pousar-se-ão nos da mãe, numa muda interrogação: arrumada, a nossa filha?

Não. Não foi ainda desta vez. E ei-los a caminho de casa, quartel-general do seu sonho desmantelado, ei-los de novo na luta diária e persistente de reunir as pedras daquele «puzzle» de quimera.

Que saudades Natália! , e como bem referiste a seu preciso tempo, tinha chegado « a hora romântica dos deuses nos pedirem desobediência», e que mais não fosse pois que

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

 

A tua palavra sempre tornou audível o silêncio, a tua luta, testemunho de várias almas numa única não morará na morada dos esquecidos. Ao alto, ao alto na galeria dos atentos, sempre o teu perfil.

 

 

Teresa Bracinha Vieira

Dezembro 2014