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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

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The Queen’s speech, 2015

O primeiro Queen's Speech inteiramente conservador em vinte anos abre a curiosíssimo debate nas Houses of Parliament. Ao segundo dia das discussões sobre o programa legislativo em Westminster destaca-se já a oposição ao novo HM Government vinda dos Tory backbenchers. Se a questão europeia há muito divide as águas na hoste azul, entre mais ou menos eurocéticos, é a ideia de uma paroquial British Bill of Rights que ora turva a coesão na ala vitoriosa.

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Alguns MPs há até a extrair interpretação especial ao modo como Elisabeth II olha para o PM quando anuncia explorações para eventual risco no Human Rights Act. — Chérie, arrêt à bon temps! A Electoral Commision revela fontes e montantes financeiros na campanha de May 7th. A tabela dos dinheiros iguala os resultados do sufrágio. — Hmm. There is safety in numbers… A London Conference abre hoje em Lancaster House, com a Chatham House a privilegiar “the search for global leadership.” Em Washington, o US Senate decide não decidir sobre um Patriot Act que expira sem se entender qual o significado do seu fim para a segurança ocidental. 

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Unseasonably winds within bright days at Greater London. O 64.º discurso de State Opening durante o reinado de Elizabeth II ocupa o palco no melhor rito da British political tradition, com pompa e circunstância e boa parcela de newcomers a ouvir Her Majesty na House of Lords depois do Black Rod em seu nome para tal convocar todos os membros da House of Commons. Este é o first all-Conservative Queen's Speech desde 1996 e Sir John Major então no No. 10. As duas casas do parlamento examinam agora o detalhe das propostas que o executivo pretende aprovar na legislatura. Hoje o tema a dominar as atenções é Britain in the World. Ontem foram os Home Affairs & Justice. O programa segue de perto o blueprint eleitoral: o euroreferendo e a devolução de poderes para Holyrood &tc, cortes no desperdício administrativo e nos impostos para os baixos salários, mais um vasto e ainda pouco especificado plano de habitação social sob o guarda-chuva do Right to Buy que celebriza Lady Margaret Thatcher a par das privatizações. O Prime Minister David Cameron sintetiza o seu One Nation Toryism numa visão maior ao estilo de Disraeli, mas que articula na linha da segurança do berço à tumba saído do pós-guerra: "[W]herever you live you can have the chance of a good education, a decent job, a home of your own and the peace of mind that comes from being able to raise a family and enjoy a secure retirement."
Seja como seja, nas pausas dos trabalhos, os Members of Parliament têm agora por perto em exposição a escultura de Mr James Sherwood Westmacott (1823-1900) sobre um dos barões que em Runnymede força o Bad King John a selar a Magna Carta: Geoffrey de Mandeville, Earl of Essex and Gloucester. No entretanto vão analisando o rasto dos dinheiros eleitorais. Segundo a Electoral Commision, a par dos £2.36m públicos, dez partidos angariaram mais de £30.6 milhões privados entre January-March. É o valor mais elevado de sempre nos relatórios do independent watchdog e que compara com a cifra de £19.3m aceite por 14 forças partidárias em donativos na batalha pelo voto de 2010. O ranking financeiro mimetiza os resultados finais: o Conservative Party granjeia £15.4 milhões, seguido do Labour com £9.3m, os Liberal Democrats com £3m, o Scottish National Party com £1m e o Ukip com £0.9m.

Outros motivos de interesse atraem os olhares para Westminster Square. O modo como o SNP fará o contraditório é uma das incógnitas saídas das eleições primaveris que começa a ganhar contornos de resposta, em contraponto à trovoada que se observa nas lideranças dos outros partidos com assento nos Commons. A um primeiro tempo, os independentistas pautam os primeiros dias na powerplay do reino unido com cortesia e ouvem o Queen’s Speech nos Lords. A um segundo  tempo, o líder Mr Alex Salmond tem sido mais que discreto na cena tribunícia apesar de o apontarem como muito ativo to boost cross-party opposition. A um terceiro tempo, RH Nicola Sturgeon aparece em multiplos canais a indicar "a complete standoff" entre London e Edinburgh em matéria da divisão de poderes. Mas a First Minister of Scotland faz mais no reposicionamento face a uma possível crise constitucional: após a digressão continental do PM discursa em Brussels, com o dedo apontado contra a agenda euroreformista de Downing Street. — Well. The first blow is half the battle.

 

St James, 1st June

Very sincerely yours,

V