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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

A Queen for all seasons, 1926-2016

Mão amável envia-me um destes dias a fotografia de Jamie, um belo rebento com futuro aberto.  Os nascituros sempre contêm aquele quê de intrinsecamente maravilhoso pela potência do ser. O No. 17 Bruton Street de London W1 acolhe um destes momentos mágicos a 21 April 1926. Nasce Elizabeth Alexandra Mary, neta do King George V e sobrinha do Prince Edward of Wales.

 Na terceira linha de sucessão ao trono, a infanta é “a little darling with lively complexion and pretty fair hair” nas palavras da avó Queen Mary. Já um dos seus treze Prime Ministers diz que cedo revela “a star quality.” Sir Winston S Churchill é também um dos seus primeiros admiradores: “She has an air of authority and refletiveness astonishing in an infant.” Tais traços permanecem quando Her Majesty Elizabeth II assinala 90 anos de vida e cumpre o mais longo reinado de Great Britain. — Chérie! En petit champ croït bon blé. A Electoral Commission designa os grupos Vote Leave e Britain Stronger in Europe como mandatários das campanhas Exit e Remain no euroreferendo. Uma e outra ala ganham acesso a dinheiro público até £600,000, selos e debates. — Hmm! The eagles do not breed doves. O Turkish é official EU language. RH Jeremy Corbyn invoca o Primeiro Ministro de Portugal na adesão à eurofilia. Refrescando as memórias da Princess Diana na India, os Dukes of Cambridge posam no Taj Mahal. O Congresso do Brasil aprova o início do processo constitucional de impedimento da Presidenta Dilma Roussef. Pope Francis apela em Lesbos (Greece) à compaixão do mundo para com os refugiados, com exemplar regresso ao Vatican acompanhado de uma dúzia de sírios.

Clear skyes em Central London. Não sei se terão algo melhor para fazer nas tardes de Saturday, mas parece regressada a moda das marchas dos regular protestors em Westminster District para sombrear a tranquilidade nativa. O motivo destes festivais é duplo: contestar a política austeritária e os novos cortes nos apoios sociais; clamar pela demissão do Conservative Prime Minister. Singular é o visível dispositivo policial presente, uma coisa e outra, afinal, só servindo para esmoer libras e paciência aos contribuintes. Talvez animados pela cor que guarnece o ruído, hoje é a vez dos ativistas por cá realizarem uma demonstração prática de alpinismo: dois membros do Greenpeace UK escalam a Nelson's Column, em Trafalgar Square, para alertar contra a poluição do ar na metrópole. Pena que o seu conceito de qualidade ambiental seja restrito, num mapa de estátuas agastadas que soma as de Oliver Cromwell junto às Houses of Parliament e de Winston Churchill em Parliament Square. Acresce que, em tempos difíceis, a Met Police tem melhor agenda a acautelar vidas humanas e o comum dos Londoners manifestamente prefere festejar o Vivat Regina.

Em matéria de Politics, RH David Cameron e o seu treasure offshore continuam em foco apesar da descolagem oficial da campanha europeia (Yes, only now they all really started!…). Após o unprecedented step de divulgar a riqueza fiscal, o Prime Minister faz an unprecedented Commons statement on his personal finances. Aqui admite a responsabilidade pelos erros na comunicação sobre os Panama Papers e defende a honra do pai Ian como criador do Blairmore Holdings Inc – um fundo comercial e não um veículo de evasão a impostos, na sua visão. Revela detalhes das £31,500 em ações com chapéu panamiano, bem como porque as aliena à entrada para o No. 10 Downing Street: a transação gera um lucro de £19,000 em 2010 e visa evitar potencial conflito de interesses. Fecha com um hino a quantos “make money lawfully.” A declaração é fortemente ovacionada pela Tory Majority e sonoramente censurada pela Loyal Opposition. A animada sessão contém quer perguntas incómodas, quer incidente parlamentar para apimentar os registos no Hansard. Antes de convidado a sair do hemiciclo pelo Speaker John Bercow, entre apelos de “order, order,” RH Dennis Skinner (Labour MP por Bolsover desde 1970) aponta, nomeia e renomeia o PM como “Dodgy Dave.” No entretanto, mesmo em vésperas de London receber a Global Anti-Corruption Summit, em May 12th, HM Government anuncia pacote de medidas contra a evasão tributária e os paraísos fiscais.

Mas Monday é “a day for facts,” segundo afirma outro visionário de Whitehall. O Chancellor RH George Osborne apresenta nas páginas de The Times o que é classificável como o killer argument dos patronos da permanência do UK na união continental: a saída arruina o reino, “permanentely and significantly.” Em números e conforme a major Treasury report prontinho para sair a público: “Britain's national income could be 6% smaller by 2030.” Depois dos £9m gastos num 16-page booklet enviado para todas as caixas de correio nas ilhas, o No. 11 garante agora que “every household in Britain would be £4,300 a year worse off” numa década e meia. A reação dos Outers à conjetura é seca. “Scaremongering.” Melhor surge RH Jeremy Corbyn entre os Bremainers, quando o Mayor Boris Johnson ocupa o weekend em Brexit blitz com comícios em três cidades. Discursando na University College London, em plena Senate House de Gower Street, o Labour Leader antes hasteia a bandeira dos “workers’ rights” e sustenta que “there is a strong socialist case for staying in the European Union, just as there is also a powerful socialist case for reform and progressive change in Europe.”A batalha referendária ganha vigor com a entrada em cena da oposição trabalhista, uma hoste, aliás, sob o comando de um outro Johnson, o veteraníssimo Alan Johnson MP, bem como com adicional contendor de peso entre os Lefties: nenhum outro senão um outrora Bennite Euroceptic e ora relutante convertido: “I remain critical of EU shortcomings” No mais do indefinido voto de 23rd June: Only 65 days to go…

Se as conflicting views In/Out dominam o debate em Westminster, ofuscando ainda as eleições de May em Scotland, Wales, Northern Ireland e em London e nos local councils em England, preenchida está a agenda cultural. Três notas breves para enriquecer os dias. Assim: Mr Roger McGough CBE FRSL regressa à BBC 4 com nova série de Poetry Please, escoltando a tradicional competição Poetry by Heart. O British Museum acolhe os epocais Spring florals da National Gardening Week. E as Bodleian Libraries movimentam as 400 Shakespeare's Birthday celebrations. Oxford tem uma nova exposição sobre a vida e a morte na obra e tempos do bardo, pelos curadores Professors Simon Palfry e Emma Smith. Os Fellows dos Brasenose e Hertford Colleges acompanham a iniciativa com o livro Shakespeare's Dead, além do catálogo de enigmática mostra. Well! One sure thing would Master Will pen if he walked around in ourdays: Happy 90s birthday, Ma’am.

 

St James, 18th April                    

Very sincerely yours,

V.