Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

A Liberty Day to remember1.jpg 

 

A Liberty Day to remember, 1944-2016

O dia abre com o toque dos sinos de St. Martin's Church, em Asnelles-sur-Mer (France). Normandy recebe as comemorações do 72nd Anniversary do decisivo D-Day na II World War. Começa então dura marcha para a liberation of Western Europe do controlo da Nazi Germany. — Chérie. Qui vivra verra.

 

A Liberty Day to remember2.jpg

Deste lado do English Channel ninguém sabe onde politicamente estará o UK no day after do euroreferendo, só cá ou cá e lá, mas no day before aos votos vem… The Donald. Já com delegados bastantes e relutante establishment no bolsilho do colete, o putativo candidato republicano na White House Race Mr DJ Trump viaja até Britain para inaugurar um dos seus campos de golfe nas belas terras altas. — Hmm! Better an egg today than a hen tomorrow. Mr Andy Murray perde o French Open para Mr Novak Djokovic, o primeiro e glorioso tenista em meio século a conquistar all the four Grand Slam titles at once. Pope Francis decreta a expulsão dos bispos desatentos a casos de abusos de menores ou adultos vulneráveis. Um novo e improvável herói global é santificado, com a partida do boxeur Mr Muhammad Ali e ido Cassius Clay (1942-2016). Para muitos ele é o gigante do ringue, para muitos outros é "a man who fought for us."

 

A Liberty Day to remember3.png

A beautiful sunshine here at Central London. As atenções dividem-se com as comemorações além Channel da Winston’s codenamed Operation Neptune. A 6 June 1944, em plena incerteza quanto ao desfecho na longa II World War, começa a invasão do continente pelas tropas dos Allies. Testa-se a dita inexpugnabilidade do Atlantic Wall, erguido nas eurocostas pelas forças militares nazis. Linha da frente na Operation Overlord, destinada a libertar politicamente o continente da suástica do III Reich, as manobras bélicas de desembarque são violentamente sangrentas mas decisivas na vitória face a Herr Adolph Hitler. Para a história, gravado a fogo, ficam cerca de 1,000 mortos alemães e nada senão 10,000 baixas entre os soldados americanos, britânicos e canadianos que atravessam os cinco infernais setores anfíbios de Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword Beach. Solene RIP, pois. 

 

A batalha no seio do conservadorismo está similarmente ao rubro, e a blueonblue é pessoal. Vejamos se não perco o fio da meada tribal. Antes do referendo e da divisão das águas entre Inners & Outers, eles eram os melhores amigos em Whitehall. Presidem à Cameron’s era em Downing St. Depois, depois, tudo a Europe leva. Cameron diz Boris como a kind of traitor. Gove diz Cameron & Osborne roughly dishonest. E Osborne diz Boris & Gove like Farage, um dos supervilões na narrativa dos Bremainers. Notando que todos estão no coração do executivo, a dúvida que resta é saber o que restará do Cam Govt no final da contagem dos sufrágios sobre o YES or No à permanência do UK na European Union. Há melhor, além da nuvem atlântica que Mr Donald Trump trará dos US e do guess work caseiro. O ex PM RH John Major acusa RHs Boris J & Michael G de “misleading the public” (Woah! Do I/Do we really feel misled?). RH Gove reage e rebatiza o guião dos Remainers como Project Lies. O duo dos Brexitters escreve até a Sir David Cameron de dedo em riste: “You’ve deceived public on the economy” (Sunday Telegraph). Acresce uma unholly alliance: o Premier faz campanha em Oxford com o Labour In e ainda em London com o Mayor Sadik Khan. Tudo isto quando, a céu aberto, todos debatem the next conservative captain e os futuros papéis de Tory King or Tory Kingmaker.

 

Mas são os grandes debates que iluminam já uma nova fase da ruidosa peleja euroreferendária. O Prime Minister RH David Cameron e o Secretary of Justice RH Michael Gove são sucessivamente entrevistados na Sky News em formato peculiar. Ao invés de tradicional frente-a-frente, o Number 10 contorna a blueonblue battle com um duplo programa televisivo: primeiro vem forensic interview aos protagonistas por um sensacional Mr Faisal Islam, seguida de um período de perguntas e respostas por membros do público em estúdio. Apreciação sobre este reality check? O PM é grelhado ao vivo e o seu honorável amigo revela-se robusto orador. Os estilos são idênticos: combativos gladiadores da retórica. Assim: Um adverte os nativos contra a self-harm economic act e o outro pede aos Bretões to trust themselves para navegar na globalização. Os efeitos de cada qual ver-se-ão dentro de momentos. Pontos fortes: the framing argument pela discreta estrela do conservadorismo britânico de a EU ser “a job's destroying machine;” e o apelo de resiliente Premier  ao eleitorado para “do not roll the dice on Europe.” Mais a interrogação do ano ‒ “Prime Minister, what comes first? WW3 or the global Brexit recession?” No mais do interessante voto de 23rd June: Only 16 days to go…

 

As alas ligeiras da luta referendária também se movem. RH Nigel Farage anuncia na LBC que equipa uma flotilha do UKIP para vogar no Thames River e, frente ao Palace of Westminster, bradar que “We Want our waters back.” O Labour Leader RH Jeremy Corbyn igualmente assoma à cena, mesmo assim, apenas por breves momentos, primeiro acusando a BBC de discriminação (mau sintoma no party management) e, depois, ainda para não proferir previsto discurso sobre o futuro da Union mas sim hastear os ideais e as políticas igualitárias da esquerda ideológica em europês. Se assim confirma a perceção de, em política europeia, ser uma alma agnóstica, a intervenção tem o mérito de lembrar que nas causas do estádio de pré-desintegração da EU está a agenda política do austeritarismo.

 

A fechar, um ramalhete de observações enquanto aguardo por cortejada cópia do Chilcot Inquiry sobre a Iraq War. Fim de uma era na High Street: a cadeia de lojas BHS cerra as portas, conservando memórias no meu guardaroupa. Cheias em Paris encerram o Louvre Museum e colocam em alerta verde os diplomatas do Quais d'Orsay. O 2016 Global Slavery Index divulga que mais de 45 milhões de humanos são explorados à volta do globo, dos quais “1.2 million are in Europe.” O antigo vice-chancellor da Oxford University Lord Neill of Bladen despede-se aos 89 anos, com legado académico e de crossbench peer na House of Lords. O Brexit Movie soma inesperado sucesso no gallant James’ Circle. — Well! Let us have off pat Master Will at that mountainous country with a cave in “Cymbeline:” Hark! the game is rous’d. O Cymbeline! heaven and my conscience knows (…) The game is up.


St James, 6th June
Very sincerely yours,
V.