Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

CENTENÁRIO DA MORTE DE MARCELINO MESQUITA

 

A Câmara Municipal do Cartaxo publicou muito recentemente uma coletânea de estudos  sobre Marcelino Mesquita, assinalando dessa forma o centenário da morte do dramaturgo, ocorrida em 7 de julho de 1919.

 

E para lá dos estudos, assinala-se a publicação de “Duas Peças do Espólio de Marcelino Mesquita. Assim se chama o volume editado pela CMC e que reúne, precisamente, dois textos: um deles, intitulado precisamente “Inédito sem Título”, o outro intitulado “Um Episódio de Guerra”.

 

Isto, para além de textos introdutórios do Presidente da CMC Pedro Magalhães Ribeiro, da Vereadora Elvira Tristão, de António Filipe Rato, que traça a biografia de Marcelino, e de mais 4 editores – Ana Catarina Azevedo, Ana Luísa Vilela, Maria Manuela Simão e Vítor Madeira Santos.

 

Marcelino nasceu no Cartaxo em 1 de setembro de 1856. E a primeira experiência de espetáculo a partir de uma peça de sua autoria ocorre nos seus 20 anos, com a estreia no Teatro de D. Maria II do drama histórico “Leonor Teles”, depois revisto e publicado em 1889.

 

Em qualquer caso, inaugura-se dessa forma uma vasta e significativa carreira de dramaturgo, que percorre a estética e a problemática da dramaturgia portuguesa, nessa fase de transição do romantismo para as outras expressões estéticas que marcaram o teatro da época e duram até hoje.

 

Aliás, a data de estreia não colide com alterações que foram sendo efetuadas à luz da vasta experiência cénico-dramatúrgica de Marcelino, e isto, ao longo de dezenas de anos e de dezenas de textos. Podemos então evocar peças que cobrem séculos da História de Portugal e dos seus nomes referenciais. E isto, insista--se, cobrindo a transição do século, num ciclo que dura até pela menos 1917.

 

Citamos designadamente peças como “Leonor Teles” (1889), “O Regente” (1897),  “ Sonho da Índia”, (1898), “Peraltas e Sécias” (1899), “Sempre Noiva”( 1900), “Petrónio” (1901), “O Rei Maldito” (1903), “Margarida do Monte” (1910), “Perina” (1913), “”Pedro o Cruel” (1916), ou “Frimeia” (1917).

 

É pois oportuno  lembrar que o teatro histórico constitui uma das dimensões marcantes da dramaturgia de Marcelino Mesquita.  Mas não só. Essa vasta dramaturgia assume também um temário que efetua a transição do romantismo para o realismo, tendo presente, note-se bem, a fase de transição que marcava na época o teatro, na alternativa da edição e dos espetáculo em si: sendo certo que a caracterização do teatro como arte envolve necessariamente a sua expressão espetacular, digamos assim.

 

Mas tendo bem presente que tantas e tantas vezes o texto vale por si mesmo e não exige a expressão espetacular: só que, então, em rigor, trata-se de poesia ou prosa dialogada, mas não propriamente de teatro!

 

Enfim: há que elogiar esta iniciativa da Câmara Municipal do Cartaxo, e destacar a recuperação dos textos inéditos e o conjunto de estudos que enquadra a respetiva publicação.

 

DUARTE IVO CRUZ