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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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O JOVEM GARRETT HÁ 200 ANOS

 

Obviamente, já temos aqui abordado as intervenções de Garrett no historial do teatro português. A cronologia torna agora a referência ainda mais adequada.

 

Efetivamente, os livros de Memórias do Marquês da Fronteira José Tezimundo Mascarenhas Barreto (1802-1881), “ditadas por ele próprio em 1861” diz a edição original coordenada por Ernesto de Campos Andrada e publicadas em 1926, descrevem uma inesperada intervenção pública do então jovem e desconhecido Almeida Garrett no Teatro de São Carlos, há exatamente 200 anos.

 

Estava-se pois em 1820, Garrett tinha 20/21 anos e o Marquês assistia a um espetáculo no então Real Teatro de São Carlos quando inesperadamente vê levantar-se um jovem espetador. E conta nas sua Memórias:

 

“Foi numa dessas noites de grande entusiasmo que, estando na plateia geral, vi pôr-se de pé sobre um dos bancos um jovem elegante pelas suas maneiras, duma fisionomia simpática e toilette apurada, um pouco calvo, apesar da pouca idade, o qual, pedindo silêncio aos que o rodeavam, desse hino “À Liberdade”. E recitou uma bela ode que foi estrepitosamente aplaudida, perguntando-se com curiosidade, tanto nos camarotes como na plateia, quem era o jovem poeta: foi ele próprio quem satisfez a curiosidade, dizendo chamar-se Garrett”.

 

E continua:

 

“Foi a primeira vez que os habitantes da capital ouviram a voz sonora do grande poeta, e foi nessa noite que eu fiz com ele conhecimento, o qual se estreitou, durando até à sua morte as nossas relações de amizade. Garrett teve nessa noite uma bem merecida ovação, sendo levado em braços, de roda do salão, por várias vezes”.  (In “Memórias do Marquês de Fronteira e de Alorna” vol.I-II - 1926 – ed. INCM 1986 pág.212).

 

Ora bem: será oportuno lembrar que Garrett, no prefácio da “Mérope”, primeira peça publicada em 1819, assume que o teatro o interessou desde os 12 anos, e que cerca de 1815 ensaiou uma adaptação de “Os Persas” de Ésquilo. E recorda no mesmo texto que ensaiou ainda “um meio Afonso de Albuquerque, um quarto de Sinfonista, um Átila e não sei quantas coisas mais”...

 

O “Catão” data de 1821.

 

E a partir daí, desenvolve-se a dramaturgia iniciática da renovação/modernização (à época) do teatro português, a partir portanto do romantismo garreteano, histórico ou não...

 

DUARTE IVO CRUZ