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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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TEATROS REAIS NO SÉCULO XVIII

  


Remontamos aqui ao século XVIII para dar notícia evocativa de alguns Teatros Reais, no sentido de teatros régios e da corte. E importa ter presente que se referem sobretudo teatros de ópera, pois como bem sabemos a tradição do espetáculo dramático propriamente dito, na corte e nas cidades, vinha de traz: basta lembrar que Gil Vicente representava para a família real a partir de 1502.

Mas o primeiro espaço teatral público, o Pátio das Arcas de Lisboa, surge em 1590 por influência da Corte filipina e por iniciativa de Fernão Dias de La Torre. E ao longo do século XVII e XVIII surgem documentos e noticias relativos a edifícios e espaços de espetáculo, sobretudo (mas não só) em Lisboa: cite-se o Pátio do Borratem ou da Mouraria, o Pátio das Hortas do Conde, onde depois existiriam os sucessivos três Teatros e Cinema Condes, ou os Teatros do Bairro Alto.

Mas é evidente que temos descrições de espaços onde, antes disto, se faziam espetáculos.

Herculano, nas “Lendas e Narrativas”, descreve a representação de um Auto inaugural, digamos assim, no Mosteiro da Batalha, em 1402. E Gil Vicente é ainda mais explicito em indicações plausíveis de cena: por exemplo da Câmara da Infanta no “Auto da Visitação – Monólogo do Vaqueiro” em 1502 ou do chamado Mosteiro de Enxabregas no “Auto da Sibila Cassandra” em 1513.

Mas avancemos no tempo.

O que agora nos importa evocar é os Teatros Reais a partir do seculo XVIII. E desde logo, o do Palácio de Queluz.

Vale a pena recordar que o Palácio começou a ser construído ainda nos anos 50 do século XVIII, segundo projeto de Mateus Vicente de Oliveira e de Robilllon. Em 1778, inaugurou-se lá um Teatro de madeira, projetado por Inácio de Oliveira Bernardes. Mas esse Teatro pouco durou: na verdade, D. Maria I manda derruba-lo em 1790 para construir no local um Pavilhão onde se instala depois da subida ao trono do filho e sucessor D. João VI.

E aqui citamos o que escrevemos no livro “Teatros de Portugal”:

“Fez-se ópera em salas e pavilhões armados desde pelo menos 1761, e ficou uma tradição insólita de D. Miguel cantar o papel de D. Quixote na ópera de António José da Silva e António Teixeira em 1833! Restou no entanto, e está completamente recuperado, um pequeno Teatro no interior do edifício fronteiro ao Palácio, chamado Torre do Relógio”. (Edições INAPA pág. 20). 


Duarte Ivo Cruz

 

Obs: Reposição de texto publicado em 29.09.18 neste blogue.