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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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ABECEDÁRIO DA CULTURA DA LÍNGUA PORTUGUESA


PRÓLOGO


As interrogações que aqui se inserem servem de aperitivo e de recordação de Alexandre O’Neill. Neste mês de agosto de 2023, o folhetim diário do CNC terá uma letra diferente em cada dia. Assim designamo-lo como abecedário. Começo por esclarecer que se trata de uma narrativa fantástica. Ocorre nos dias de hoje, mas um pouco à semelhança dos Apólogos Dialogais de Francisco Manoel ou da Torre da Barbela de Ruben, envolvendo uma mistura de fantasmas de diversas épocas, que se procuram esclarecer, em substância, sobre o que é isto da cultura – desde a intervenção de uns Relógios Falantes até a um Hospital das Letras ou a um Escritório Avarento… Em cada episódio diário, haverá sempre um enredo explicativo e um suspense entre as duas letras que se sucedem e que seguirão a ordem tradicional. Daí o título de abecedário e a coexistência de um labirinto e de um caleidoscópio. E encontraremos aqui a lógica semelhante à dos espíritos que subitamente aparecem e desaparecem, ora com uma postura severa, ora com uma dimensão jocosa. Sempre, porém, haverá uma moral da história, capaz de nos vacinar contra um certo analfabetismo endémico que por aí pulula. Daí a necessidade de um Hospital das Letras, disciplinador e certeiro. Os cavaleiros serão cavaleiros, os bobos serão bobos, os saltimbancos e dançarinos não faltarão, como nos painéis de Almada Negreiros na Rocha do Conde de Óbidos, os conselheiros, conselheiros serão. E seremos fiéis ao romanceiro – Cada capítulo terá dois mil caracteres e com tal espírito de síntese iremos deixando enigmas por resolver. “Lá vem a Nau Catrineta que tem muito que contar. Ouvide agora senhores esta história de pasmar”. Eis o ponto de partida, algo barroco, algo misterioso. E verão que o Verão vale a pena!

Um forte abraço do Folhetinista.     

 

A VIDA DOS LIVROS

De 31 de julho a 6 de agosto de 2023


Ao falar de identidade nacional, José Mattoso lembrava a anedota que se contava do rei D. Luís quando, já bem adiantado no século XIX, perguntava do seu iate a uns pescadores com quem se cruzou se eram portugueses e a resposta foi bem clara: “Nós outros? Não, meu Senhor! Nós somos da Póvoa de Varzim”.

 


Com efeito, é sempre complexo o processo de definição do que designamos por identidade nacional. Ela é inseparável de uma perceção coletiva. Por isso a consciência histórica é fundamental, correspondendo à noção de apropriação do poder, tendo no caso de Portugal o Estado precedido a Nação, num processo lento e gradual. Esta anedota serve para se perceber que, longe de um entendimento fechado, estamos perante uma realidade complexa e aberta, que no caso português se traduz num curioso cadinho que, na diversidade, se uniformizou no território, na fronteira, na língua e numa construção convergente realizada de norte para sul e de sul para norte. “A História-escrita não será nunca reprodução da História-vivida” – disse-o José Mattoso (cf. A História Contemplativa – Ensaio, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 2020). “A História-escrita não será nunca reprodução da História-vivida. Uma verifica os vestígios deixados pelo que aconteceu e relaciona-os entre si para representar o que já não existe. A outra é o conjunto dos próprios acontecimentos, que se sucedem no tempo e por isso podem ser recordados por quem os viveu, mas já não existem. Ao escrever a História construímos uma representação, ou seja, uma réplica do que aconteceu. Com efeito, os acontecimentos deram-se em momentos fortuitos, que não podemos representar porque a cada um deles segue-se outro momento”. A História-escrita não explica a reação dos poveiros. E para o historiador o encadeamento dos factos corresponde a operações mentais. Daí a necessidade de sínteses, de classificações, de agrupamentos racionais. Contudo, perante a complexidade temos dificuldade em distinguir o individual e o coletivo, o nacional e o internacional, os fatores sincrónicos e diacrónicos. Assim, a organização do tempo revela-se importante não apenas para distinguir a sucessão dos acontecimentos, mas também para permitir a comparação com o que ocorre noutros horizontes e que converge e diverge entre si. Como há um movimento permanente e simultâneo da sociedade humana, só podemos situar-nos na razão de ser das coisas a partir das referidas operações mentais.


ANÁLISE CERTEIRA E INOVADORA
José Mattoso fez uma análise certeira e inovadora, usando uma metáfora feliz: a História-escrita assemelha-se à maquette de um edifício que já não existe, mas que idealizamos e pode ser reconstruída. A História-vivida não tem lugar na realidade, desapareceu, mas pode ser representada pela História-escrita, como operação que procura ser verosímil. É algo que já não existe, uma vez que está a ser apenas objeto de uma projeção – e, sendo-o. Move-se, modifica-se sob o risco de permanente anacronismo, uma vez que a crítica é influenciada pelas mentalidades. Pode aproximar-se da objetividade, sem certezas, mas não está preservada da neutralidade. Lembremo-nos dos conceitos de identidade e de património cultural. José Mattoso teve o cuidado de encarar tais realidades como elementos complexos. “Quando o pensamento moderno se apropriou da História para reconstituir o passado, procurou rever as histórias nacionais para excluir as lendas e milagres, mitos, revelações e fantasias, descobrir causas e efeitos, e enfim impor a racionalidade e a lógica das narrativas anteriores”. Houve, assim, a tentação de reduzir tudo à racionalidade e à mentalidade ocidental. A diversidade, a recusa da superficialidade das análises, a exigência da compreensão do contexto – já que os factos dependem não só das decisões individuais ou coletivas, mas de fatores estruturais, antes desvalorizados. O tempo curto e o tempo longo têm de se articular – ensinou-o Braudel. E a memória recorda o que aconteceu, representando-o, ainda que de um modo fragmentado. No caso dos poveiros, temos a experiência da pesca e do conhecimento do mar no tempo longo e a vulnerabilidade das correntes e da meteorologia, bem como a maior ou menor presença do pescado no tempo curto, os economistas chamam-lhe estrutura e conjuntura. Mas como poderemos analisar a vida humana transcendendo o efémero? E Paul Ricoeur leva-nos para um caminho em que possamos usar uma mediação imperfeita ou incompleta entre o futuro, o passado e o presente. E se falamos de mediações e de instituições estamos no cerne da interrogação sobre como podemos colocar as pessoas como protagonistas da organização da sociedade e da realização do bem comum.


CHEGAR À CONTEMPLAÇÃO
Para José Mattoso, chegamos assim à contemplação, que é o único modo de entender a unicidade e a coerência do ser, compreendendo a diversidade e a complementaridade, a prevenção do conhecimento contra o erro e a ilusão, a consideração do método que valoriza o contexto e o conjunto, o reconhecimento do elo entre a unidade e a diversidade da condição humana, além  da aprendizagem de uma identidade planetária, da exigência da atenção ao inesperado e ao incerto como marcas do nosso tempo, da educação para a compreensão mútua entre as pessoas de pertenças e culturas diferentes e do desenvolvimento de uma ética do género humano de acordo com uma cidadania inclusiva – em que insiste Edgar Morin. “Ao captar a realidade pluridimensional do Homem no tempo, nasce nele o verbo silencioso forte de imagens, símbolos e alegorias que não o esgotam, mas indicam o sentido da vida humana sobre a terra, tudo o que se passa no tempo – os grandes impérios, o sofrimento dos excluídos, a renúncia aos bens terrenos, o amor e o desejo, o riso das crianças que brincam no campo, a exploração da terra, a composição de uma sinfonia musical – enfim tudo o que é real. Tudo tem sentido, tudo pode desencadear a exaltação de quem descobre esse mesmo sentido”. E eis-nos diante do paradoxo que é a existência humana, evidenciado no mistério revelado na fórmula de Pedro Calderón de la Barca de que “a vida é sonho”. A História-escrita e a História-vivida explicam uma exigência de compreensão da importância do tempo e da reflexão, da contemplação e do mistério…   José Mattoso, foi um profundo renovador da moderna historiografia em Portugal, sendo exemplar nos novos métodos e na revelação de muitos enigmas, renovando a investigação como um campo de complexidade e de compreensão, até para se entender a necessidade de uma melhor vivência democrática, bem como da defesa efetiva do património cultural e de uma relação europeia e global mais profícua.


Guilherme d'Oliveira Martins

POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE ALBERTO PIMENTA 

  


Marthiya of Abdel Hamid segundo Alberto Pimenta 35


35.
Não sei
Se tornarei a ver
As caravanas
Que de madrugada
Atravessam o deserto
Em frente
Às ruínas de Palmira

Ou
As azenhas milenares
De Hama
A chiar de esforço
Quando elevam
A água do Oronte
Até ao aqueduto
Que encima a cidade

Ou
A paisagem
Aos pés do monte Kasyun
Coberta de estrelas
Que caíram
E se fizeram
Pura luz esparsa:
A cidade de Damasco

Não sei
Se tornarei
A fazer a viagem nocturna
No comboio de Bagdad:
Alepo, N´nive,
Tikrit…

E se outra vez ainda
Poderei erguer os olhos
E ver a beleza de Nahila
Nos limites da sua açoteia.

Já ouvi dentro de mim
Um trovão
Fender-me a alma.

Para a unir de novo
Não sei o que terei de enfrentar.


in Marthiya de Abdel Hamid segundo Alberto Pimenta, 2005


Marthiya of Abdel Hamid according to Alberto Pimenta 35


35.
I don’t know
Whether I will ever see again
The caravans
At dawn
Crossing the desert
Past
The ruins of Palmyra

Or
The millenarian water wheels
Of Hama
Screeching with effort
As they lift
The water of the Orontes
Up to the aqueduct
That crowns the city

Or
The landscape
At the foot of Mount Kasyun
Covered by fallen
Stars
That became
Pure scattered light:
The city of Damascus

I don’t know
Whether I will ever again
Travel the night journey
On the Bagdad train:
Aleppo, Nineveh,
Tikrit…

And whether I will once more
Be able to lift my eyes
And see the beauty of Nahila
Standing on her terrace.

I’ve heard inside myself
A thunder
That shattered my soul.

To mend it
I don’t know what I’ll have to face.


© Translated by Ana Hudson, 2010
in Poems from the Portuguese 

 

CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  


143. SÍSIFO E A ACEITAÇÃO DA ORDEM ESTABELECIDA


A mesma rotina diária: acordar, levantar, higiene pessoal, vestir, pequeno almoço, adquirir legumes, fruta, flores, plantas, abrir e montar a banca, pôr tudo à vista, para comerciar e vender, vender, vender. Almoçar, a meio do dia. No fim, arrumar o que sobra, desfazer a banca e fechar. Nos dias seguintes, a mesma coisa.   


Em casa, ao serão, após o jantar, ouvem-se as notícias, vê-se desporto, novelas, filmes ou séries, o sono chega, cai-se na cama, até outro dia, em que há que sair cedo, retomando-se a habitude de trabalhar, trabalhar, trabalhar.   


O essencial de uma vida, transversal a todas as vidas e profissões, a lembrar Sísifo, que recebeu de Zeus o castigo de todos os dias recomeçar de zero a sua tarefa, condenado para toda a eternidade por desafiar os deuses, como sucedera a Prometeu.


Este trabalho monótono, cansativo e repetitivo conduz-nos ao mito de Sísifo, punido e condenado a um trabalho enorme e sem fim, empurrando uma pedra até ao cimo de uma montanha onde, aí chegado, lhe fugia das mãos e rebolava daí abaixo. E recomeçava, impedindo Sísifo de ter tempo para pensar em novos interesses, evasões, afastando-o de malefícios e pensamentos suicidas.


Estas nossas vidas entediantes levaram Camus a defender que o absurdo está em interrogarmo-nos e tentar compreender se a vida faz sentido, pois é impossível ter uma resposta, pelo que quem aceita o absurdo vive bem com ele, aceitando que não faça sentido, aprendendo a viver com a sua ininteligibilidade neste oceano de perguntas sem respostas, o que não implica apatia e capitulação.


Mas há dias de não acatamento e submissão a uma vida de Sísifo, dando azo a tempos livres para escrutinar, meditar, pensar, passear, contemplar, saborear a natureza, um dia solar, bem diferente de nunca trabalhar ou não suportar o ócio e o tédio.


Sucede que o enfado, fastio e vazio se não superado pelo ritual do labor diário (mesmo que preenchido sob a forma de uma pluralidade de interesses), leva-nos a  concluir que uma vida sem trabalho não serve para nada, acabando por ser um favor o pretenso castigo que Sísifo recebeu e, por arrastamento, nós os mortais, somos obrigados a reconhecer eternamente a nossa condição como meros servidores de uma ordem previamente estabelecida, como humanos não imortais incapazes de superar aquilo a que não somos capazes de dar sentido.


28.06.23
Joaquim M. M. Patrício

CRÓNICA DA CULTURA

A geografia fator-chave


Mares, rios, montanhas e betão condicionam as escolhas do poder e limitam o que a humanidade pode ou não fazer.

As características geográficas de uma região definem passado e presente e futuro, no exato momento em que o campo de batalha também se trava na atmosfera da terra.

Se nos lembrarmos que o Irão tem duas grandes características geográficas: as montanhas e os desertos de sal, eis uma fortaleza!

Se nos aproximarmos, o caminho por qualquer angulo é de terreno ascendente e em muitos locais, intransponível. As terras interiores são na sua maioria ermas.

O deserto de Cavir ou o Dasht-e-Kavir é o Grande Deserto de Sal que possui aproximadamente 800km de comprimento e 320km de largura o que se pode afirmar ser o tamanho dos Países Baixos e da Bélgica juntos e, em muitas áreas, o sal à superfície esconde lama tão funda que nela nos podemos afogar.

Deste modo as características geográficas deste país que raramente sai dos noticiários, criam cerco protetor ao regime repressivo e ligado ao terror.

Como se sabe todo o Irão era a Pérsia, sendo que a forma nan-e-barbari (forma do pão persa) tem constituído a sua figura geométrica de base.

Neste país, são também os montes e montanhas que ajudam a descrever curvas, o que significa que poderes que queiram invadir estes territórios, terão de lutar com pântanos, desertos e montanhas que constituem formidáveis obstáculos de preços inimagináveis a pagar.

Contudo, a geografia deste país também o confrange a ficar contido no seu território.

Os grupos étnicos agarram-se à sua identidade e resistem ao estado moderno, e a escassez de água é um dos muitos fatores de atraso económico do Irão, onde apenas um terço do cultivado é irrigado.

Enfim, um início do não esquecer o quanto o espaço geográfico possui carater histórico e engloba as ações humanas sobre o ambiente em que vive.


Teresa Bracinha Vieira

UM MUNDO FLUTUANTE

  


A relação dos portugueses com o Japão é singular e corresponde, apesar das vicissitudes, a um percurso que o tempo fortaleceu. Os primeiros portugueses chegaram ao país do Sol Nascente entre 1542 e 1543. Segundo a tradição, teria sido um junco chinês com três portugueses, apanhado por uma tempestade, que teria sido desviado para a ilha de Tanegashima. E a partir de então iniciou-se uma relação com repercussões culturais únicas. Não foi, no entanto, fácil o intercâmbio histórico e religioso, muitas vezes com repercussões trágicas. A evolução permitiu, porém, o aprofundamento dos fatores de entendimento.


A exposição «Mundo Flutuante: estampas japonesas “ukiyo-e”», que se encontra no Museu Gulbenkian, é uma agradável surpresa. Centra-se no conceito de ukiyo, que se refere aos prazeres efémeros da vida quotidiana. Sobre esse tema fascinante, Calouste Gulbenkian reuniu um notável conjunto de arte produzida entre os séculos XVII e XIX, maioritariamente estampas do período Edo (1603-1868) e um conjunto de objetos de laca., além de livros, incluindo as preciosas “surimono” que permitem usufruirmos das mais valiosas virtualidades da cultura nipónica. É uma faceta menos conhecida da personalidade de Gulbenkian que permite compreender o carácter multifacetado do extraordinário colecionador. Em paralelo, e num domínio diferente, o Centro de Arte Moderna celebra os seus quarenta anos de vida com uma evocação da contemporaneidade japonesa, permitindo-nos complementar a lembrança histórica e a vitalidade atual. Aproveitando a obra de renovação do CAM pelo arquiteto japonês Kengo Kuma esta aproximação cultural revela-se preciosa. Na tradição antiga e na modernidade, a natureza é, para os japoneses uma força vital. E sempre me tocou o grande interesse dos japoneses por Portugal, sabendo eles muito mais sobre nós do que nós sabemos sobre o Japão, apesar do contacto e da partilha de experiências.


Agora, temos o privilégio de dispor de diferentes visões da natureza e da paisagem, a projeção da perspetiva linear ocidental do Renascimento para o Oriente, a beleza e a sofisticação das cortesãs (“bijin”), a importância das narrativas literárias tradicionais, mas ainda os efeitos das inundações de 1967 sobre as estampas da coleção e a mestria dos restauros realizados. 


Perante as belas estampas japonesas da coleção de Calouste Gulbenkian, recordo a visita que fiz a Ryoan-ji, em Quioto, quintessência de um templo zen. João Bénard da Costa no seu “Quinze Dias no Japão” (2001) fala-nos da inesquecível experiência que teve nesse jardim de delícias. No filme “A Décima Quinta Pedra” de Rita Azevedo Gomes (2007), João desenvolve num diálogo extraordinário com Manoel de Oliveira a ideia de que “só se vê com o coração” … Naquele jardim, com quinze pedras, representando o universo, em nenhum ponto do mesmo podem ser vistas todas elas. Há sempre uma que desaparece encoberta por outras. E depressa percebemos que nunca poderemos ver todas as pedras em simultâneo. O monge de Ryoan-ji perguntou ao João, no fim da estada, se já compreendia o que vira. «Começo a compreender!» - disse o interlocutor de um modo cauteloso. Mas o monge surpreendeu-se: «Já aqui estou há vinte anos e cada vez entendo menos». E mercê do alerta do monge, percebe-se que só com o coração se pode ver, compreendendo o mundo, a memória e o tempo. “No Oeste varremos as folhas caídas com a nostalgia de quem sabe que o tempo findou; no Japão essas folhas juntam-se e dão lugar à alegria do surto de um novo tempo”. A cultura traz-nos mil surpresas. E dizia João que «esse jardim de Ryoan-ji ensina-nos, entre muitas outras coisas, que dizem os orientais, uma vida inteira não dá para aprender, que cada coisa é ela e simultaneamente o seu duplo, que nada existe fora do olhar que lhe dá existência e que – como no paradoxo de Zenão, de que talvez seja a ilustração suprema – o movimento é a mais radical de todas as ilusões».


GOM

FRANCISCO E OS JOVENS. 2

  


Continuo com os apelos e pedidos do Papa Francisco aos jovens. A partir de uma síntese de Gilles Donada publicada no jornal La Croix. Poderá ajudar na preparação para a Jornada Mundial da Juventude.


6. “Fazei escolhas audaciosas”.
Francisco quer que os jovens sonhem grande. E em que consiste o essencial desse sonho?  É um sonho que passa pela realização se si. “Levanta-te e torna-te o que és”. “Levanta-te” também significa “sonha”, “arrisca”, compromete-te com mudar o mundo”. “Obrigado, jovens, por cultivar o sonho da fraternidade, ter cuidado com as feridas da criação, lutar pela dignidade dos mais fracos e difundir o espírito de solidariedade e partilha.”


Em ordem à sua concretização, os sonhos passam por “decisões concretas  e grandes escolhas”. “Não tenhais medo de escutar o Espírito, que vos sugere escolhas audaciosas, não  titubieis, quando a consciência vos pedir para seguir o Mestre.”


7. “Falai sempre com Jesus”
.
“Ide ao encontro de Jesus, estai com Ele na oração, confiai toda a vossa existência ao seu amor misericordioso e à vossa fé, e a vossa fé será um testemunho luminoso de generosidade e de alegria por segui-lO.” “Falai sempre com Jesus, tanto no bem como no mal, quando fizerdes uma coisa boa ou uma coisa má. Não tenhais medo dEle.”


8. “... e evangelizai de joelhos”.
“A evangelização faz-se de joelhos”, por outras palavras, com a oração. “Sede sempre homens e mulheres de oração. Sem uma relação constante com Deus, a missão torna-se uma profissão”, insiste concretamente diante de seminaristas. É preciso fazer como Jesus, que, “na véspera de cada acontecimento importante se recolhia numa oração intensa e prolongada. Cultivemos a dimensão contemplativa, também no meio do turbilhão dos compromissos mais urgentes e pesados. E quanto mais a missão  vos chamar a ir às periferias existenciais mais o vosso coração deve estar unido ao de Jesus, cheio de misericórdia e de amor.”


Diz o Evangelho que Maria, para ir ajudar a prima Santa Isabel, “se levantou e partiu apressadamente” — este é o lema escolhido por Francisco para  a Jornada Mundial da Juventude em Lisboa. O Papa vê nesta atitude uma boa fonte de inspiração para a juventude. “O mundo de hoje tem necessidade de jovens que vão com pressa, que não se cansam de ir apressadamente, de jovens que têm esta vocação de perceber que a vida lhes oferece uma missão.” “Temos necessidade de jovens em marcha. O mundo só pode mudar, se os jovens estiverem em marcha.”


Mas como dirigir-se a uma pessoa afastada da Igreja? “A última coisa a fazer é dizer-lhe alguma coisa, fazer comentários.” A atitude tem de ser outra. “Começa por fazer e essa pessoa verá o que tu fazes e far-te-á perguntas, e, quando fizer perguntas, então responderás.”  “Evangelizar é dar este testemunho: eu vivo assim, porque acredito em Jesus Cristo; desperto em ti a curiosidade da pergunta: “mas porque é que fazes estas coisas?” E a resposta do cristão deve ser esta: “Porque acredito em Jesus Cristo e anuncio Jesus Cristo não pela Palavra — claro também é necessário anunciar pela Palavra —, mas sobretudo através da minha vida.”


9. “Sede embaixadores da paz”
.
Para Francisco, uma dos combates prioritários é o da paz. “Sabei-lo bem, vivemos momentos terrivelmente difíceis. A Humanidade está em grande perigo. Estamos em grave perigo. Sede, pois, embaixadores da paz, para que o nosso mundo redescubra a beleza do amor, do viver juntos, da fraternidade, da solidariedade.”


O combate pela paz implica “um compromisso concreto, a partir da fé, para a construção de uma sociedade nova: viver no meio do mundo e da sociedade, para fazer crescer a paz, a justiça, os direitos humanos, a misericórdia, e estender assim o reino de Deus no mundo.”


Colocar “Deus no centro” da vida, acolhê-lo com fé, opera uma “revolução copernicana”. “A fé incita ao amor de Deus, que nos dá segurança, força, esperança. Quando Deus está presente, no nosso coração permanecem a paz, a doçura, a ternura, a coragem, a serenidade e a alegria, que são os frutos do Espírito Santo”, transformando “o nosso modo de pensar e agir, que se tornam o modo de pensar e agir de Jesus, de Deus.” Exorta os jovens: “Caros amigos, a fé é revolucionária, e eu peço-vos a cada um de vós, a cada uma de vós, hoje: estás preparado, estás preparada, para entrar nesta onda revolucionária da fé? Só entrando nela é que a vida de jovem terá um sentido e assim será fecunda.”


10. “Reencontrai as vossas raízes: escutai a sabedoria dos idosos”.
É constante em Francisco o apelo  à ligação viva entre as diferentes gerações, atacada pela “cultura da rejeição” e a “cultura da produtividade”. “A juventude é muito bela, mas a eterna juventude é uma alucinação muito perigosa. Ser velho é tão importante — e belo — como ser jovem. Não esqueçamos isto. A aliança entre as gerações, que restitui ao humano todas as idades da vida, é o nosso dom perdido e que devemos retomar.”


Quer que os jovens se reaproximem dos seus idosos, para irem ao encontro da sabedoria. “Deixa-te iluminar pelos conselhos e o testemunho dos idosos. Dialogar com as raízes, com as pessoas de idade, com os que nos precederam, e vós a caminhar para diante... É crescendo sob o olhar benevolente e atento dos mais velhos que construímos uma personalidade sólida para as lutas quotidianas e mais: eles transmitem-nos a fé e as suas convicções religiosas.”


Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia

Escreve de acordo com a antiga ortografia
Artigo publicado no DN  | 22 de julho de 2023

A VIDA DOS LIVROS

  

De 24 a 30 de julho de 2023


Perante o hediondo ataque das tropas de Putin ao centro histórico de Odessa, que destruiu seriamente a Catedral ortodoxa da Transfiguração, recordamos a obra clássica de Berdiaeff (1874-1948) “Cinco Meditações sobre a Existência”, na tradução de Ana Hatherly (Guimarães ed., 1961).

 


O texto de Ana Hatherly sobre Nicolau Berdiaeff, filósofo e místico ucraniano, é bem ilustrativo do que muitas vezes se esquece quando vemos a violência cega não cuidar dos meios para atingir fins bárbaros. O filósofo “coloca o homem no centro do mundo mas como imagem e semelhança de Deus, aquele que considera o homem existente como um ser total, como um todo em si, mas cheio de contradições e de paradoxos. Estas contradições e esses paradoxos contribuem para o sentimento do sentido trágico da existência porque implicam o conflito a pessoa consigo própria e consequentemente com a pessoa dos outros. Antiracionalista na medida em que proclama a totalidade do homem, a inseparabilidade do pensamento das emoções, da vontade da afetividade, já que considera o homem como um todo indissociável e particular, ergue-se naturalmente contra tudo o que for limitar a liberdade da ação individual, contra toda a espécie de coisificação, de ‘objetivação’, na sua terminologia, contra tudo o que for submergir o sujeito no objeto, desde a objetivação do pensamento e das emoções à objetivação da siociedade quer religiosa quer política” (…) “A pessoa é social, é feita para viver no mundo mas só pode nele conviver, comunicar, comungar com a pessoa que não seja objeto mas sim ser espiritual à imagem e semelhança de Deus, mas ainda de um Deus objetivado, não socializado, não tornado coisda, pois que tudo se torna demoníaco sem o amor, mesmo a fé; e outro tanto acontece sem liberdade”.


A destruição da Catedral de Odessa, há dias, representa o contrário deste entendimento. Não é apenas um monumento, integrado, aliás, num centro urbano classificado pela UNESCO, que está em causa. É a dignidade humana que é atingida. E cabe perguntar: que loucura pode justificar uma tal cegueira? A noção de cultura e de património exige que o respeito da humanidade nunca possa ser esquecido. “A ideia mestra da minha vida (disse o filósofo ucraniano) é a ideia do homem, do seu rosto, da sua liberdade criadora e da sua predestinação criadora” (…) A Verdade implica a atividade do espírito do homem, o conhecimento da Verdade depende dos graus de comunidade que podem existir entre os homens, da sua comunhão do Espírito”. De facto, a destruição de um símbolo do conhecimento da Verdade representa a incapacidade de compreender o dever da humanidade de fazer da liberdade criadora um fator de paz e de respeito mútuo. Que querem os senhores da guerra? Destruir a humanidade pela recusa de qualquer capacidade criadora.


A Catedral da Transfiguração na cidade de Odessa foi encomendada pela Imperatriz Isabel da Rússia (1709-1762), filha de Pedro o Grande, entre 1743 e 1754, tendo sido fundada em 1794 e consagrada em 1808. Foi originalmente um pequeno edifício que se manteve até ao século XIX, tendo sido destruído por um incêndio em 1825. Transformou-se, no século XX na maior Catedral do Império Russo. A estrutura original foi, no entanto, demolida em 1936, tendo a última reconstrução decorrido entre 1999 e 2005.


O ícone representando a Mãe de Deus (Kasperovska) , padroeira de Odessa foi salvo entre os escombros. A Diretora-Geral da UNESCO, Audrey Azoulay, já condenou este ataque criminoso: “Estas terríveis destruições marcam uma nova escalada de violência contra o património cultural da Ucrânia. “Exorto a Federação da Rússia a tomar medidas tangíveis para cumprir as suas obrigações que dizem respeito ao direito internacional para preservação do património cultural”. Josep Borrell, chefe da diplomacia europeia foi claro: trata-se de um crime de guerra que atingiu bens do património da humanidade.  


Guilherme d'Oliveira Martins

POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE YVETTE K. CENTENO 

  


Através do Espelho


a António Ramos Rosa

Foste sempre a estrangeira:
a da trança de lado
a do olhar de frente
o verde da tua bata
um verde
inconveniente
tinhas muitas moradas
partias e partias
não ficavas
e a meio da viagem
quando os outros seguiam
tu voltavas


in Outonais (poemas 2005-2010), unpublished
© Yvette K. Centeno


Through the Looking-glass


to António Ramos Rosa

You were always the stranger:
hair plaited on the side
eyes that stared straight ahead
the green of your pinafore
was an unsuitable
green
you had many homes
you left and left
you never did stay
and when half way there
as the others followed
you turned back


© Translated by Ana Hudson, 2010
in Poems from the Portuguese 

 

ANTOLOGIA

  


UM DIÁLOGO ECUMÉNICO SÉRIO
por Camilo Martins de Oliveira 


Minha Princesa de mim:


Chegou-me hoje uma carta breve do M... Começava assim: "Teço / solidão e silêncio /e não esqueço / as ditosas horas /em que fui feliz..."  Pouco mais dizia, sabes bem como ele sempre foi solitário e silencioso sobre si. Inesperado, por isso, foi ouvi-lo dizer aquilo. Estava escrito, mas era como um desabafo saído do coração na boca. Deixou-me perplexo. Soube, antes, que ele anunciara aos seus alunos que se retirava. E que alguns deles lhe tinham escrito, sem nada mais pedirem, que não esqueceriam o muito que ele lhes ensinara... Ao que apenas respondera que nunca ensinara nada, que apenas partilhara coisas queridas do seu coração, tão queridas que até lhe tinham passado pela cabeça! Conheci-o de pequeno, menino como eu. Ambos órfãos de pai, irmãos de alma nos tornámos e ficámos. Eu, talvez, mais aparentemente condescendente, mais convencional. Quiçá rebelde e refilão, mas sempre atento à circunstância. Ele, ele sempre gostou do desacordo como modo de interrogação. E nunca o escondeu. Questionar, contestar, sempre foi, para o M..., não um capricho, nem uma leviandade, mas antes o seu modo pessoal de estar com os outros, de lhes dizer que os amava porque respeitava a inteligência deles e os considerava capazes de reverem ideias adquiridas. Por isso mesmo, detestava o "fala barato", o presunçoso. Odiava a mediocridade. Dizia que as constipações se curam de janela aberta, que um cérebro emperrado só o é por não querer mexer-se! Claro que se dizia que tinha "mau feitio". Mas, com raras exceções, os que com ele privaram, alunos e colaboradores, reconheceram-lhe e retribuíram-lhe a amizade com que ele, mesmo aparentemente zangado, generosamente lhes fazia justiça. Muitas vezes me lembrou o Padre Chenu, frei Marie-Dominique. Curiosamente, é com homens assim que aqueles a quem, por preconceito obedecido, chamamos infiéis ou incréus, finalmente se abrem mais. Pois não há maior elogio da diferença - como parceira de diálogo - do que interrogá-la connosco. O documento "De Oecumenismo", do Concílio Vaticano II, trata também das relações da Igreja, e da fé católica, com o Islão. Essa parte, como referiu o Cardeal Béa ao apresentar o documento aos dois mil bispos reunidos na Basílica de S. Pedro, teve a aprovação prévia do Institut Dominicain d’Études Orientales du Caire, considerado - tal como o Instituto Pontifício de Estudos Orientais da Tunísia, dos Padres Brancos - uma autoridade na matéria. Esse Instituto e a sua qualidade são fruto da visão e da persistência de Marie-Dominique Chenu. Conheci-o no Saulchoir, na festa de S. Domingos, a 4 de agosto de 1941. Fui lá para visitar um estudante dominicano, então discípulo do Padre Chenu, depois um dos primeiros membros do Instituto do Cairo e, hoje ainda, residente em Kabul, no Afeganistão. Deves saber quem, é de uma família com que temos alguns laços de parentesco: falo do frei Sérgio de Laugier de Beaurecueil. Na altura, em plena guerra, o Padre Chenu ia formando o primeiro grupo de religiosos dominicanos que integraria o Instituto, dotado de autonomia e oficialmente reconhecido em 1953, a 7 de março, na festa de S.Tomás de Aquino: Jorge Anawati, egípcio, cuja língua materna era o árabe, e que foi o primeiro presidente, Tiago Jomier que, para o efeito foi estudar árabe e islamologia para a Sorbonne, e o nosso parente que, antes de entrar para a Ordem dos Pregadores, escolhera como 2ª língua, no liceu, o árabe falado no Egipto! Para se instalarem no Cairo, tiveram ao dispor o convento edificado pelo Pe.Jaussen, professor na Escola Bíblica de Jerusalém, em 1928, para receber os estudantes daquela escola dominicana no tempo que passavam no Egipto, para se familiarizarem com a arqueologia local e seus achados e visitarem o Sinai. Aliás, já o Rei Fouad convidara o Pe.Jaussen a fundar uma academia de sábios dominicanos no Cairo, ideia que ficou na memória da Ordem, por ser tentadora a fundação de um centro de estudos sobre o Islão na cidade onde se encontra a maior universidade muçulmana do mundo... Ideia que, nos anos 30, depois de uma ida a Jerusalém e ao Cairo, o Padre Chenu expôs, em Roma, ao Cardeal Tisserant, ex-aluno da Escola Bíblica e Prefeito da Congregação Oriental no Vaticano. Vale a pena citar-te um texto do Pe. Anawati: "Ninguém melhor do que o Pe.Chenu poderia sentir a importância e urgência de tal Centro... O seu íntimo conhecimento da Idade Média há muito o tinha sensibilizado para o problema que o "arabismo" levanta. Sabia o que tinham sido, para Santo Alberto e S. Tomás, Avicena e Averroes, conhecia melhor do que ninguém a importância das fontes árabes para o estudo técnico das ideias filosóficas na Idade Média. Muito atento ao movimento das ideias, à animação das culturas, às possibilidades enriquecedoras dos intercâmbios culturais, tendo medido a importância atual de uma religião como o Islão, à qual pertencem mais de 400 milhões de homens (o texto é de 1964), e que tem um passado tão ligado aos destinos do Ocidente, logo percebeu o papel que a Ordem de S. Domingos devia desempenhar nesse domínio". Sobretudo, minha Princesa, porque a guerra, a ascensão do comunismo, a confusão das mentes europeias perante o absurdo aparente de tudo, o movimento ecuménico cristão, o previsível advento de novos Estados-Nação com novos centros de expressão religiosa que escapariam ao controlo político, nos protetorados e colónias que se emancipavam das potências europeias, tudo isso aconselhava a humildade, o respeito do outro e o diálogo. É espantoso para muitos, admirável para todos, que o Vaticano do Papa Pio XII tenha expressamente instruído os fundadores do Instituto Dominicano de Estudos Orientais do Cairo para que se concentrassem mais na tarefa de mostrar ao mundo - designadamente à cristantade e ao mundo muçulmano - a mensagem religiosa e espiritual do Islão, do que em fazer proselitismo religioso. Assim, este Centro de Estudos é, ainda hoje, como pude observar numa recente viagem ao Egito, um ponto de encontro, no mundo árabe e universitário, do diálogo inter-religioso. Nessa ocasião, voltei às "Cartas do Egipto" do jesuíta Teilhard de Chardin que, em 1907, do Cairo escreve a seus pais, sobre o regresso a casa de peregrinos a Meca: "Todo o cortejo penetrava lentamente na rua que ladeia os grandes hotéis, estorvando a circulação mas provavelmente para grande alegria dos turistas. O lado impressionante da cerimónia é ver os indígenas acorrerem em grande número ao santo que regressa de Meca, a fim de lhe beijarem as mãos: aí também há uma ideia muito religiosa e muito elevada"... Mais uma curiosidade: na edição das "Lettres d´Égypte" pela Montaigne, em 1963, a apresentação prefacial é feita por Henri de Lubac, jesuíta também e que, com os dominicanos Congar e Chenu, de quem é amigo, foi teólogo do Concílio Vaticano II e... medievalista! A introdução de uma perspetiva histórica fundamentada na investigação teológica trouxe alma nova à reflexão de uma religião incarnada." Com esta carta de Camilo Maria, ocorreu-me algo que eu mesmo disse a um jovem padre, meu amigo, e que não repetirei aqui. Apenas recordo que, além da tradução do "Shifá" de Avicena, a obra mais celebrada de frei Jorge Anawati tem por título "Introduction à la Théologie Musulmane".


Camilo Martins de Oliveira


Obs: Reposição de texto publicado em 05.07.13 neste blogue.

 

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