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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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CRÓNICA DA CULTURA

«Se é o sonho que cria o homem, vou criar o sonho que me cria»
Maria Gabriela Llansol

 

  


Quando comecei a ler Maria Gabriela Llansol aquele estado de estranhamento que é a base da atitude filosofal, abriu-se a um outro tempo encontrado na proposta de uma fração infinitesimal, aquela mesma que se situa entre o que recordamos e o que percebemos.


Maria Gabriela foi e é um ponto luminoso de ideias e inspirações.


Entendi-a como uma lutadora incansável contra as normais solicitações humanas, procurando que a compulsão mimética não prevalecesse no seu íntimo, como um assalto constante a tudo e todos sabendo o quanto tudo se desvaneceria, enfim.


De Kafka, Camus, Goethe, Malraux, sempre numa tentativa algo oracular, procuramos dar rumo e sentido a um polo oposto da verdade que intuíamos existir, e esse percurso, também o fizemos mão-na-mão das seduções de Gabriela Llansol.


Por Dilthey, procuramos mesmo por entre as ciências da consciência e as da natureza, uma sociedade fora da universidade que nos foi proposta e que pouco ou nada permitia o pé em ramo verde, pé de fantástica afinidade pelo ensino de dentro de ângulos novos, quando tudo começa a ser predileção, depuração, condensação do pensar e do dizer.


Eduardo Lourenço afirma: «Qualquer texto de Maria Gabriela Llansol é um texto em que o laço com a realidade, no sentido banal, se nega e se transfigura numa outra espécie de texto, considerando-se aquela ofuscação positiva que só a música exprime, ou antes é. Viajemos por um texto qualquer, porque todos os textos de Maria Gabriela têm essa propriedade de serem um só texto e um texto diferente».


"Escrever é o duplo de viver" ou "a minha maior responsabilidade é contribuir para que um livro seja um ser". Assim Maria Gabriela no seu livro "Falcão no Punho".


A absoluta centralidade da linguagem com a qual pensamos, será sempre o que nos conduz às grandes perguntas gravitacionais, e só por aí o sonho que nos cria é o mais desejado e furtivo dos animais em nós:


um verso de Camões que ninguém iguala.


Teresa Bracinha Vieira