Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  


182. A VISTA ALEGRE E A SUA EXCELÊNCIA EM 200 ANOS


A Vista Alegre (VA) é, reconhecidamente, um caso único no cenário nacional.

Pelo alvará régio de 1 de julho de 1824, o rei D. João VI autorizou o funcionamento da fábrica de porcelanas da Vista Alegre, hoje a mais antiga da Península Ibérica.   Recebeu o título de real fábrica, cinco anos depois, pela sua arte e sucesso industrial, que perdura até hoje, comemorando o seu bicentenário.     

Neste seu aniversário, está muito bem acompanhada pela nona sinfonia de Beethoven, que foi apresentada, pela primeira vez, em 7 de maio de 1824, em Viena. Parabéns, Vista Alegre! Parabéns, Beethoven!

O seu fundador, José Ferreira Pinto Basto, foi visionário, intuitivo, audaz, astuto, um estratega perspicaz, vendo à distância e a longo prazo. Um empresário inteligente e progressista, concessor de boas condições de vida e bem-estar aos seus trabalhadores, através de um bairro social, escolas, teatro, música, bombeiros, equipa de futebol, granjeando a sua boa vontade e colaboração.   

Durante seis gerações a fábrica da VA foi pertença da família Pinto Basto sendo, mesmo agora, uma espécie de país dentro do país, nação dentro da nação, uma utopia conseguida, um nome emblemático de prestígio, de inspiração, de notória e alta qualidade acima da média.   

Um sonho de internacionalização que se tornou realidade em mais de 70 países, em exposições universais onde foi premiada (Londres, Paris, Filadélfia), contratando dos melhores mestres de pintura e artistas, onde se destacou Vitor Rousseau, a que se juntam designers contemporâneos criativos e vanguardistas, viagens com o corpo diplomático português, ser mesa em representações diplomáticas de vários países, incluindo na casa real britânica.         

A VA é, verdadeiramente, entre nós, uma instituição que representa e universaliza no exterior o que de melhor somos em termos artísticos, criativos, decorativos, estéticos, de técnica e de aventura empresarial com sucesso.     

É um habitat de uma aldeia dentro da aldeia, em que a presença, elegância e o espírito das cegonhas são um símbolo, mas onde a universalidade é o melhor caminho para a sua evolução.

Uma proximidade permanente ao universo artístico e das artes, é caraterística indissociável do seu ADN.       

A sua marca incorpora uma fábrica Alegre, uma visão de júbilo, como a nona sinfonia de Beethoven integra uma Ode à Alegria (com um poema de Schiller), ambas celebrando a alegria e reconhecendo na sua beleza a sua força inspiradora. 

A VA é, para todos, uma bela fonte de inspiração que prestigia o nosso país.     

Bem-haja e que assim continue.


05.07.24
Joaquim M. M. Patrício