Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

CRÓNICA DA CULTURA

  


Quando os homens estão entre o dormir e o acordar, ainda confusos no reconhecer se são gente de ontem ou fregueses de hoje, iniciam enfim, caminhos diferentes.

Há quem tente caminhar de acordo com a sua melhor natureza e consequência.

Há quem, do seu esconderijo, revele que assim sim, e de outro modo não, e o afirme sem olhar para trás.

E há quem revire amor e morte, enquanto a arte, por sua conta.

Há também quem percorra o caminho até uma janela, no tempo certo em que o tempo avisou, mas sem que a ideia soubesse funcionar, depois, com esse aviso.

E há quem, depois da inocência cair, descubra que dormir sob todos os relentos fora descuidadamente possível.

Então, numa espécie de estranha intimidade, a doença e o antídoto no quem, ou o quê pensamos que somos. E por aí adiante.

Todos príncipes.

Todos entre o dormir e o acordar e uma janela.

Todos sob o escandaloso manto da insignificância, mesmo.

Todos a precisarem de muito e a compreenderem pouco.

A maioria:

preconceito ativo, preconceito-pertença-grupo quando entre o dormir e o acordar ou depois no caminho, não lhes assiste ideia que os alarme; ideia que marche à frente da multidão.

Há quem, sobretudo por medo.

E também muito quem, depois de tudo e afinal: possibilidades.


Teresa Bracinha Vieira