CRÓNICA DA CULTURA
Quando os homens estão entre o dormir e o acordar, ainda confusos no reconhecer se são gente de ontem ou fregueses de hoje, iniciam enfim, caminhos diferentes.
Há quem tente caminhar de acordo com a sua melhor natureza e consequência.
Há quem, do seu esconderijo, revele que assim sim, e de outro modo não, e o afirme sem olhar para trás.
E há quem revire amor e morte, enquanto a arte, por sua conta.
Há também quem percorra o caminho até uma janela, no tempo certo em que o tempo avisou, mas sem que a ideia soubesse funcionar, depois, com esse aviso.
E há quem, depois da inocência cair, descubra que dormir sob todos os relentos fora descuidadamente possível.
Então, numa espécie de estranha intimidade, a doença e o antídoto no quem, ou o quê pensamos que somos. E por aí adiante.
Todos príncipes.
Todos entre o dormir e o acordar e uma janela.
Todos sob o escandaloso manto da insignificância, mesmo.
Todos a precisarem de muito e a compreenderem pouco.
A maioria:
preconceito ativo, preconceito-pertença-grupo quando entre o dormir e o acordar ou depois no caminho, não lhes assiste ideia que os alarme; ideia que marche à frente da multidão.
Há quem, sobretudo por medo.
E também muito quem, depois de tudo e afinal: possibilidades.
Teresa Bracinha Vieira