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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

POESIA

Chiu

  


Vai correr tudo bem

Lá fora tantas asas e luzes e vozes que são parte de um todo que se não vê, e chiu, chiu e chiu, um calmo chiu

pois que agora que nos dói braços, estomago, coração e que nos falta o ar

então, como dizia a minha mãe, abre os olhos e olha para eles

abre os olhos e olha para eles

chamo-te Lia, é um nome bonito, sim, acaba de ocupar o lugar de hoje na vida, dizes

Lia é um nome de quem está de esperanças, mas muito pertinho de dar à luz mesmo quando ainda falta uma boa distância, está perto, pertinho, sempre perto

Tu dizes sim com a cabeça e chiu, chiu e chiu, um calmo chiu

Que a Lia assegura que bem sabe do seu cansaço, mas não conseguirá adormecer nunca e eu simplesmente ali, como se não tivesse ouvido nada do chiu que vi nos meus olhos quando para eles olhei, nem do chiu que grita tudo, nem do que me sorri e afaga com dedos muito longos como só a Lia tem e está na hora

Tenho a certeza disso

não há que duvidar da luz, a luz é sempre jovem e se o tempo estiver especialmente mau ela é manhã todo o dia e toda a noite, foi sempre assim desde que me lembro

Ainda temos teto e filhos e sonhos e verdades, penso

Pois penso, penso e cuido, e agora é altura de ir como fomos ao longo dos tempos

Olho pela fresta da janela e tu enches a cafeteira e logo a pousas no fogão, na verdade não podemos contar do chiu, chiu e chiu, um calmo chiu

a ninguém?

É que para ser sincera até me sinto mais segura em mim, do que nunca alguma vez, é como se me recitassem todas as orações do que foi e é o meu não poder ser diferente,

e julgo que uma pessoa também deve de cantar, nem bem nem mal

Cantar

Chiu e chiu, um calmo chiu que todos ouvem


Teresa Bracinha Vieira