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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  
    © José Coelho/Lusa 


234. ESTANTES BIBLIOTERAPEUTAS


Se uma biblioteca infinita é fascinante porque tem todas as histórias e leituras possíveis, se a biblioterapia é um método que usa a leitura e a discussão de livros para promover o bem-estar emocional e psicológico, por que não criarmos estantes biblioterapeutas com livros e leituras intencionais que nos dão a possibilidade de nos sentirmos compreendidos, mais sarados e com menos stresse?   

Quando há livros, há que os arrumar, rearrumar, desarrumar e baralhar, aprendendo-se sempre em qualquer das situações, mesmo quando há uma conjunção de livros que não têm nada que ver uns com os outros, arrumando-os consoante o formato e a cor, por exemplo.   

A tendência mais comum é arrumá-los de acordo com a apetência de os ler, colocando os mais desejados próximos das nossas mãos.     

Esse apetite de proximidade varia conforme os nossos interesses profissionais, de entretinimento, gostos específicos ou por obrigação e dever de ofício.

E se é normal arrumar livros cuja temática versa sobre viagens, arte, filosofia, ensaios, poesia, romance, o mesmo não sucede com os que nos fazem sentir ouvidos, vistos, entendidos, onde há um processo curativo em potência quando vemos a nossa angústia, arrependimento, dor, perda, abandono, redução do stresse e os problemas que nos assolam nas páginas de um livro. 

Há livros de salvação, de resgate, terapêuticos, doadores de biblioterapia individual ou de grupo, que podem ser institucionalizados para serviços de leitura, curadoria literária e formação em biblioterapia.     

Os seus benefícios podem ser partilhados por cada um, na nossa casa, em especial na biblioteca, em estantes biblioterapeutas, beneficiando de uma leitura consciente, empática e reflexiva que pode ser um alívio e salvação, dando-nos a possibilidade de nos conectarmos emocionalmente e psicologicamente com as vidas de outras pessoas que vivem ou passaram experiências similares, levando-nos a uma catarse que pode abrir portas para nos sentirmos mais curados e resolvidos connosco e os outros, com maior autoconsciência, autoconfiança e resiliência emocional.


14.11.25
Joaquim M. M. Patrício