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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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CRÓNICA DA CULTURA

O HOMEM É BEM MENOS DO QUE JULGA, MAS PODE SER BEM MAIS DO QUE TEM SIDO

  
    Doris Homann


A grande substituição que muitos pensam poder implantar no espírito do mundo é aquela que separa os transportadores de “maus genes” dos que só transportam os mas iluminados e puros que o seu sistema celular exclusivamente para eles produz.

O quadro trágico de um mundo que pode desaparecer afundado nos podres das fortunas-relâmpago, e noutros perversos domínios, todos pertença de uma minoria, alerta a civilização para a beirinha de um precipício inenarrável, antes que uma ideia de melhoria da existência humana consiga soltar-se da esterilização e vingue.

As “bíblias” das grandes substituições são uma herança que culmina sempre na pura aceitação da mesma, na ideia do boomerang que tolera o sofrer antes de o sentir e assim o legitima na sua chegada exponencial.

E se de facto o homem é bem menos do que julga será também porque o muito humano parece ignorar que também carrega em si o demónio, a sombra que pretende secar o diálogo, o pensar divergente, a criação, retirando o seu grito de guerra da sua imensa simplicidade viral.

Mas basta olhar à nossa volta e à volta dos factos acontecidos e logo o exemplo da não aceitação do medo generalizado marca presença; basta recordar o quanto a uma ressurreição violenta dos mitos, os homens já têm feito frente.

Basta que o homem prove que pode ser bem mais do que tem sido e evolua da comunidade definida por pseudovalores, agora facilmente manipulados pelos algoritmos, e saiba que a estes o significado de que no princípio era a cor, sempre escapará.


Teresa Bracinha Vieira