CRÓNICA DA CULTURA
O HOMEM É BEM MENOS DO QUE JULGA, MAS PODE SER BEM MAIS DO QUE TEM SIDO
Doris Homann
A grande substituição que muitos pensam poder implantar no espírito do mundo é aquela que separa os transportadores de “maus genes” dos que só transportam os mas iluminados e puros que o seu sistema celular exclusivamente para eles produz.
O quadro trágico de um mundo que pode desaparecer afundado nos podres das fortunas-relâmpago, e noutros perversos domínios, todos pertença de uma minoria, alerta a civilização para a beirinha de um precipício inenarrável, antes que uma ideia de melhoria da existência humana consiga soltar-se da esterilização e vingue.
As “bíblias” das grandes substituições são uma herança que culmina sempre na pura aceitação da mesma, na ideia do boomerang que tolera o sofrer antes de o sentir e assim o legitima na sua chegada exponencial.
E se de facto o homem é bem menos do que julga será também porque o muito humano parece ignorar que também carrega em si o demónio, a sombra que pretende secar o diálogo, o pensar divergente, a criação, retirando o seu grito de guerra da sua imensa simplicidade viral.
Mas basta olhar à nossa volta e à volta dos factos acontecidos e logo o exemplo da não aceitação do medo generalizado marca presença; basta recordar o quanto a uma ressurreição violenta dos mitos, os homens já têm feito frente.
Basta que o homem prove que pode ser bem mais do que tem sido e evolua da comunidade definida por pseudovalores, agora facilmente manipulados pelos algoritmos, e saiba que a estes o significado de que no princípio era a cor, sempre escapará.
Teresa Bracinha Vieira