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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  
    © Hugo Delgado/Lusa


235. O INFINITO E A LIBERDADE


Se o infinito exprime a ideia de um caminho sempre aberto, um processo contínuo e permanente de continuidade sem fim, uma busca pelo ilimitado, um ciclo eterno que nunca se conclui, à imagem de uma biblioteca infinita que contém todas as histórias e saberes possíveis, tem de ser inerentemente antiautoritário, tal como a liberdade o é, valendo-se ambos de todos os recursos, desde logo intelectuais, ao seu dispor, dado que quanto mais se avança, mais essa procura pelo infindável e a liberdade avançam.   

Têm de estar abertos à experimentação, à dúvida, à discordância, à refutação, à tolerância, à incerteza, à ignorância, à diversidade, à imprevisibilidade, à crítica, ao provisório, a conclusões probabilísticas, à mudança, ao não sectarismo, à criatividade, à autonomia e independência, à universalidade, ao falível, ao indeterminismo, à atividade criativa e ao empreendedorismo contínuos.   

E se o cérebro humano, estruturalmente finito, tem a capacidade de conceber o infinito, imaginando e idealizando mundos e universos intermináveis, números sem fim e possibilidades infinitas, também temos de ter asas para voar sempre mais alto, não nos servindo de nada se a porta da gaiola nunca se abrir, roubando-nos a curiosidade e a liberdade.       

Mas há um preço, que se chama responsabilidade, que transcende a abstração e se materializa num legado que é um elo entre o passado, o presente e o futuro, sendo preciso saber, em cada momento, se se pode decidir quando voar e quando parar, sobrepondo o bem comum à nossa vontade individual.   

O fascínio e sedução pelo infinito e por ser livre não é voar indefinidamente e porque sim, é também poder justificar as nossas escolhas.         


21.11.25
Joaquim M. M. Patrício