Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE RAQUEL NOBRE GUERRA 

  


Quem nunca hesitou na paragem do 28


Quem nunca hesitou na paragem do 28
e pensou: ali vai a metáfora da minha vida.
E nem por pensá-lo escapou ao açude
de mandar parar tanta gente só por si.
Não é possível ser feliz com tanta correspondência
e entre nós que vamos em itinerários românticos
a cruz na porta da tabacaria é tão-só o aviso
para lavar a cabeça contra o pessimismo.
Se não te aconchega o lumaréu de estar vivo
não te aflijas quando predizem a meteorologia
uma estação no inferno será sempre o destino.


2016, Senhor Roubado
Douda Correria
© Raquel Nobre Guerra


Who hasn’t ever hesitated at the 28 bus stop


Who hasn’t ever hesitated at the 28 bus stop
and thought: there goes my life’s metaphor?
and not even for thinking this, do you manage to escape
the weir that alone stops so many people.
It’s not possible to be happy with so much correspondence
and between ourselves who set off on romantic itineraries
the cross over the tobacconist’s is but the notice
to have your hair washed against pessimism.
If the little fire of being alive doesn’t cosy you up
don’t fret about the weather forecast
a station in hell will always be your destiny.


© Translated by Ana Hudson, 2020
in Poems from the Portuguese