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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

CRÓNICA DA CULTURA

Lembro-me do medo e da felicidade 

  


1.

Também se deita a mão a um galho de água.

De dentro do destino,

e quando já não fazem parte de nós

as lembranças dos dentes de leite,

expõem-se as nossas bagagens de refugiados

que, vento por vento,

dizem da nossa vida


2.

E chegada a altura,

é sempre ela, a nossa força consigo mesma,

rasgando espaços para outras vias, outras inconstâncias,

outras fronteiras, outros rouxinóis atravessando aniversários,

e no que à nossa morte respeita,

o silêncio em todas as extremidades,

o adestrar dos pássaros


3.

Depois nós,

ora assustados, ora confortados,

enfrentamos abismos, saudades e ceifas

que estavam escritas nos livros de culinária que aconteceriam depois das claras em castelo bem firmes,

para que reinasse a paz nas nossas casas, para que a descrevêssemos com as mãos.

Mas o cantor das feridas questionava:

e se nos escapou o principal

brunido pela sua passagem?


4.

De regresso, de regresso atravessamos o Inverno e o esquecimento

e mais tarde

atamos uma corda ao ar

para chamarmos a razão de sermos aves migratórias,

tornando-nos no voo,

lentamente

pó, vertigem

e amor.


5.

E nós, nós de novo agarrados ao galho de água,

mais prontos.

Eis:

eu, passarinho pequenino, pequenino,

no meu lugar forrado com penugem,

porque me olho do lá, do muito fundo,

da escola,

daquele sítio único de onde se veem nascer

os dias grandes


Teresa Bracinha Vieira