CRÓNICA DA CULTURA
CHAVE

Quando nos falta a capacidade de compreender, tornamo-nos muito mais limitados a agir em sociedade e a exercer os nossos direitos.
A literacia da leitura é chave para uma cidadania ativa, já que permite às pessoas refletir profundamente sobre o mundo que as rodeia, interpretar, analisar, inter-relacionar as realidades e, enfim, tomar decisões esclarecidas.
Mas a relação entre ser capaz de ler e ser capaz de compreender nem sempre é uma constante.
Entender e utilizar informações escritas de forma eficaz torna-se uma tarefa a cumprir, a fim de que o acesso permitido pela chave a que nos referimos constitua a fantástica civilização que possibilita que o leitor participe e usufrua do máximo de fontes possíveis e surja a leitura como ferramenta-significado de um direito humano.
Atribuir sentido reflexivo ao que se lê é fundamental.
Aplicar conhecimentos e habilidades de leitura em contextos variados é indispensável.
Ler obriga-nos a formar conceitos, a estabelecer relações, a treinar a mente, a aguçar o pensamento analítico, a discernir, a elaborar excelentes perguntas e a sugerir uma imensa diversidade de respostas.
A leitura une leitor e escritor em diálogos que ultrapassam as limitações da oralidade e, neste ato, chegamos ao extraordinário raciocínio abstrato.
A literacia da leitura lega-nos uma interioridade adulta, permitindo a formação integral da pessoa, contributo fértil e poderoso à emoção de lutar pelas transformações sociais e políticas que criem na humanidade a merecida experiência de uma vida digna.
Ler é chave.
Ler muda-nos.
Teresa Bracinha Vieira