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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  
    O Grito, de Edvard Munch


249. SE O RECONHECIMENTO NÃO VEM


Tantas vezes damos o nosso melhor e o reconhecimento não vem, nem virá.   

Que fazer, se o empenho e a dedicação não foram notados?   

Adentrarmo-nos em egotismo, fatalismo, ressentimento, sentimento de injustiça, sofrimento ou pessimismo?  

Sermos infelizes e possuídos por um sentimento de culpa ou de inferioridade?   

Não nos respeitarmos, quando nunca ninguém colheu qualquer benefício pelo facto de não se respeitar?

O não sermos compreendidos e reconhecidos pode magoar, porque somos humanos, mas também dá oportunidades de nos conhecermos melhor interiormente, valorizando o nosso crescimento interior.   

Se o reconhecimento externo não vier olhemo-nos, se necessário em silêncio, avaliando a nossa caminhada de consciência tranquila sobre as nossas atitudes e a sua contribuição real para o bem comum, assumindo o respeito por nós mesmos, pressuposto fundamental para a sustentabilidade de tudo.       

Reconheçamos, honestamente, que não diminuiu o valor do que fizemos porque alguém não aplaudiu, não reparou ou não validou.     

Festejemos pequenas celebrações e vitórias silenciosas e silenciadas.   

Fazendo culto da empatia e não aceitando que somos descartáveis porque os outros não estiveram atentos. 

Se aceitarmos que a caraterística mais universal de um ser humano feliz é o gosto de viver, tendo este como o segredo da felicidade e do bem-estar, porque não procurarmos em possíveis causas de alegria, contentamento e júbilo (como a afeição, família e interesses impessoais) a compensação e o suprimento para o não reconhecimento?   

Se após o esforço o reconhecimento não veio, há que não cair em desespero, depressão ou em resignação. Há, então, que apelar à necessidade de um equilíbrio entre o esforço e a resignação, dado que o que havia a fazer foi feito, o que nos tranquiliza, apesar do resultado, em reconhecimento, não se ter alcançado ou não ser o desejado.

Sem esquecer aqueles a quem o reconhecimento não sorriu, enquanto vivos, como tantos intelectuais, escritores, poetas, pintores, agora personalidades icónicas e universalizadas, após a morte, como Fernando Pessoa.       

É caso para dizer, em qualquer caso, que quando o reconhecimento não vem, há que aprender a reconhecer-nos, todos os dias, encontrando sentido no nosso caminho, mesmo na ausência de exclamações de aprovação, ovações, louvores ou consagrações.


27.02.26
Joaquim M. M. Patrício