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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Antonio Gamoneda

 

Este Verão também passará Gamoneda!, saberás tu, que, desiludindo, a minha espera de Junho, vai esta ser incauta? Não vou ser como Penélope. Quero desfazer a teia para me decidir. Eu, da minha parte, aguardo o som da tecla do piano que adie para amanhã o que devo repensar, serena, o mais possível.

                                 Afinal, tudo aconteceu e os motivos do esvaimento também. Até parece que só Hamlet raciocinou com as sombras.

Ouves-me Antonio? Para qué las palavras desecadas.? Sou Luni, mas uma Luni diferente: veo la vida en el centro de la luz.

Sim escuto-te Luni e não entendo como podem existir corações amontoados pelo amor. A nossa sorte é difícil, é aprisionada. Não te sei dizer ainda se entendo as tuas palavras quando me dizes que não tens medo nem esperança. E eu ainda tenho o rouxinol para ti. Luni amor que duras en mis labios

Amor que duras: llora entre mis piernas

Ten piedad en mi boca

Eu dei-te uma arvore, Antonio, para apoiar as costas e o mundo atrás e à volta. Antonio, meu Antonio sem calendário. Quem afinal decidiu esta inquietação? Não te falo de outros barcos. Digo-te deste num mar sem fundo. E de que valeu?

Ah!, sim perguntas?,de que valeu ?,  não saberás ainda que o mundo não é uma ideia. O mundo tem fome e adoece se lhe formos empestando o ar.

Fizemos deste o ano da necessidade ? ou só eu o fiz?

              Si , Y la advertência de tu música explica todas las pérdidas y me acompaña.

Habla de mí como una vibración de pájaros que hubiesen desaparecido y retornasen.

Puedo …

Antonio que os teus espelhos não guardam as coisas reflectidas.

Yo permaneci… preciso de te ver, só assim me acordo por dentro e te escrevo uma carta.

Que dizes? O meu piano e o teu jornal completam-se? São apenas estrelas em desalinho?

Si, en tu niñez habitada por relámpagos.

Leio o jornal, sim leio o jornal e

Oigo tu llanto que nunca tuve en mis manos. Mas também quero permanecer desconhecido em ti,

y, cualquier dia,

de mi corazón.

 

Teresa Vieira

Sec. XXI