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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

JFK and The Lion, 1937-39
 


A capacidade de unir um povo, ancorar uma nação nos valores ancestrais dos pais fundadores ou genuinamente interessar-se pelas pessoas além da tribo não é algo ao alcance de todos. Exigirá filigrana de qualidades humanas, decerto de liderança, mas requer ainda a rara alquimia do poder com o saber em nobre laço de comum responsabilidade. O US President John Fitzgerald Kennedy (1917-63) personifica a esperança progressiva da geração do pós-guerra, ao alargar os horizontes da segurança atlântica com um patriotismo universal, lado a lado com a admirável centelha de “I Have a Dream” do Dr. Martin Luther King Jr. — A chaque saint son cierge! São suas algumas das palavras eloquentes do XX Century, a exemplo de leis como o Equal Pay Act ou a visão política que conduz ao Civil Rights Act de1964 e ao Voting Rights Act de 1965. Afronta o mais perigoso duelo da Cold War; naufraga no Vietnam. Paga o desígnio com a vida. — Lion-skins are never cheap. O 50th anniversary do dramático assassinato em Dallas revisitou agora o mito democrata, sem olvidar a etapa de West Berlin onde afirma “Ich bin ein Berliner”. Raramente dito é que JFK assiste in loco à sucessão de eventos que conduz à II Guerra Mundial e um dos postos de observação é a Strangers' Gallery na House of Commons. O primeiro livro do 35th President dos United States of America dialoga até com uma famosíssima antologia dos discursos de Sir Winston Churchill nos anos de Cassandra.

O tirocínio político de ‘Jack’ ocorre na Europe dos 30s. Segundo as páginas do diário pessoal, é em 1937 que viaja na primitive France, pára na cruel Spain e observa a liveliness de Italy. Várias vezes atravessa depois o Atlantic ocean, anotando a crescente preocupação sobre ”the likehood of another war”. Em December, o President Franklin D Roosevelt nomeia o pai como embaixador em London. Aqui assiste à exigência de Herr Adolph Hitler quanto às Sudetenland e à aquiescência britânica para impedir novo conflito militar. Com o acentuar das divisões nas chancelarias, desloca-se à Germany e chega a Kiev. O filho de Mr Joe Kennedy Sr circula por restritos corridors of power, lê telegramas secretos, dialoga com protagonistas ao mais alto nível e assiste aos acesos debates nas Houses of Parliament. Em 1939 conhece o King George VI, a Queen Mary e a Princess Elizabeth. Neste ano regressa a Rome, para a First Communion do irmão Teddy, com a família de Boston a receber sacramentos em missa privada pelo Pope Pius XII. Já em Berlin escreve ao pai sobre os planos nazis de anexação da Poland e elenca os pontos de vista sobre o rumo dos international affairs. A September 3 ouve Sir Winston ao vivo em Westminster. Daqui resulta a obra espelho de Arms and Convenant, cuja edição americana adota como título While England slept (considerado mais vendável que humorada alternativa da “Cassandra of the Commons” sobre as qualidades soporíferas da flor de lótus). Sendo uma tese escolar, Why England slept tem como tema central o Munich Agreeement e a road to war na ótica do estudante de Harvard.

O US President John Kennedy atribui a American citizenship ao UK Prime Minister em 1963. Antes dele só tal sucede com o Marquis de Lafayette, o herói francês da American Revolution. A resistência churchilliana nos anos difíceis marca o statesman e as suas políticas, e o irmão Robert Kennedy deixa até uma cópia autografada do Never surrender speech no seu gabinete governamental quando é morto. — Because, at the end of the day, every why has its wherefore.


St James, 26th November

 

Very sincerely yours,

 

V.