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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

MORREU JOÃO BÉNARD DA COSTA

MORREU JOÃO BÉNARD DA COSTA

O Centro Nacional de Cultura está de luto. A morte de João Bénard da Costa é uma perda irreparável. É uma referência insubstituível no panorama cultural português. Era um homem de talento e sabedoria.
 

Foi com António Alçada Baptista uma das almas da revista “O Tempo e o Modo”, que teve uma importância crucial na preparação da democracia e na abertura de horizontes na nossa vida literária e artística. Foi dirigente activo do Centro Nacional de Cultura e da Associação para a Liberdade da Cultura, sobretudo na passagem dos anos sessenta para setenta, e muito lhe devemos por isso. E nos últimos anos continuou a dar-nos um apoio generoso e permanente. A sua presença continuará, por isso, muito viva para todos nós. Foi um grande escritor. A Cinemateca Portuguesa foi a sua paixão. Legou-nos aí um trabalho fundamental.

A melhor homenagem que lhe devemos é não esquecer os seus projectos ligados à aproximação do público em relação à história do cinema, que se confunde com a história do mundo no último século. Os seus textos sobre literatura e sobre as artes são referências. Era um grande amigo. A direcção do CNC apresenta a toda a sua família, em especial a Teresa Tamen, as mais sentidas condolências. 

 


 

Cinema
Morreu João Bénard da Costa
 

O seu nome confunde-se com o cinema: João Bénard da Costa nasceu a 7 de Fevereiro de 1935, em Lisboa e exerceu, desde 1980, cargos de direcção na Cinemateca Portuguesa. Morreu hoje, aos 74 anos.


Ainda antes de 1980, na Fundação Calouste Gulbenkian, em 1961, foi responsável pelo sector do cinema do serviço de Belas Artes da instituição.
 

Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1959, com a dissertação Do Tema do «Outro» no Personalismo de Emmanuel Mounier, Benard da Costa foi convidado por Delfim Santos para seu assistente naquela faculdade.
 

A carreira académica foi-lhe impedida, por força da PIDE. Veio a leccionar disciplinas de História e Filosofia, no Seminário Menor de Almada, no Externato Frei Luís de Sousa da mesma cidade, no Liceu Luís de Camões e no Colégio Moderno, entre 1959 e 1965.
 

A paixão do cinema marcou-o desde cedo. Entre 1957 e 60 foi dirigente cineclubista, ao mesmo tempo que presidiu à Juventude Universitária Católica.
 

Fundador da revista “O Tempo e o Modo”, o nome de Benárd da Costa fica também marcado pela presença constante na imprensa. No jornal “Público” chegou a desabafar numa crónica que "passou mais de metade da sua vida no ofício de cronista".
 

Começou no “Expresso”, com Helena Vaz da Silva, mas depois mudou-se para o “Diário de Noticias” onde assinou uma coluna chamada "O mal pelas aldeias". Em 1988 mudou a sua prosa para o jornal O Independente”, onde Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso lhe pediram para escrever sobre "Os filmes da sua vida".
 

A paixão pelo cinema levou-o também a representar, não só em filmes de João César Monteiro, como em filmes do seu amigo Manoel de Oliveira.
 

Laureado com o prémio Pessoa em 2001, João Benard da Costa, recebeu das mãos de Mário Soares a ordem do Infante D. Henrique. Também França lhe atribuiu a comenda de Officier des Arts et des Lettres.
 

Com diversos livros publicados, destacam-se as monografias de Alfred Hitchcock ou John Ford. Mas Bénard da Costa assinou também títulos como "Nós, os vencidos do Catolicismo", em 2003.


Na Renascença fez parte, até ao final de 2008, juntamente com Manuel de Lucena, João César das Neves e Francisco Sarsfield Cabral, do painel residente do programa “Com Sal & Pimenta”, de comentário crítico e mordaz da actualidade.

 

>> Uma vida cheia de filmes
João Bénard da Costa faleceu hoje aos 74 anos. Viveu fascinado pelo cinema, foi actor, escritor e divulgador da sétima arte. Na Renascença participou no programa "Com Sal & Pimenta" até finais de 2008. Peça de Maria João Costa.
 
Maria João Costa, in Rádio Renascença

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