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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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50 ANOS DA MORTE DE HENRIQUE GALVÃO

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Sem de modo algum pretender misturar esta análise teatral com outras opções, parece-nos adequado assinalar o teatro de Henrique Galvão (1895-1970) precisamente nos 50 anos da sua morte.

Independentemente de considerações de ordem histórico-política, importa efetivamente realçar, a propósito, a convergência e confluência de criações no plano teatral, numa abordagem genérica que de facto marcou a transição e modernização do teatro português a partir das tradições que vinham dos séculos anteriores, e que se generalizaram, e isto independentemente de quaisquer opções estéticas.

É de sublinhar que Luiz Francisco Rebello, na “História do Teatro Português” (1967), assinala designadamente uma peça escrita em colaboração com Carlos Selvagem, “A Farsa do Amor”. E cita esta colaboração referindo ainda mais três peças de Galvão: “Revolução” (1932), “O Velo de Ouro” (1936) e “Comédia da Morte e da Vida” (1950), “sátira de costumes de título e projeto ambicioso mas de realização frustre”, assim mesmo escreveu Rebello na “História” citada.

Mas mais se acrescenta que Rebello, no livro que dedicou a “100 Anos do Teatro Português (1880 - 1980)” publicado em 1984, cita com grande destaque a estreia da “Comédia da Morte e da Vida” no Teatro Nacional em 10 de maio de 1950. E remete para uma análise crítica que na época Armando Ferreira publicou, logo depois da estreia.

 Aí se lê que se trata “talvez da sua melhor peça de teatro, vista sob o lado da carpintaria teatral, de perfeição homogénea de caracteres e até a que melhor demonstra a observação fria do autor e o seu desejo de marcar com o ferrete da desaprovação pública uma sociedade hipócrita, egoísta e amoral”. Isto, note-se, publicado no Jornal do Comércio de 13 de maio de 1950!

Por minha parte, destaquei na “História do Teatro Português” (2001) precisamente a peça “Revolução”, referindo sobretudo (e cito) a capacidade de transladação, no segundo ato, do ambiente e da dinâmica passada obviamente na rua. E acrescentei que a peça ainda hoje se lê com agrado, pela engenhosidade de um conflito político e sentimental.
E em “Repertório Básico de Peças de Teatro” (1986) saliento sobretudo a fidelidade à corrente realista do nosso teatro dos anos 30.
Refiro mais duas peças de Henrique Galvão evocativas da temática africana: “O Velo de Ouro” (1936) e “Colonos “(1939). E mais acrescento que a “Comédia da Morte da Vida” (1950) envereda por um realismo teatralmente confuso, à volta de uma situação violenta que de certo modo se retoma em “A Mulher e o Demónio” (1950).

Independentemente pois do cinquentenário da morte de Henrique Galvão, o seu teatro merece projeção, pela qualidade e atualidade.

 
DUARTE IVO CRUZ
  

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