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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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PEREGRINAÇÃO AO JAPÃO

 

Contagem decrescente - Japão (10)

 

Voltamos ao Embaixador Armando Martins Janeira, no seu livro “A Construção de um País Moderno”: - «Os grandes construtores do Japão moderno não são os políticos, mas os grandes industriais: os inventores da Sony, da National, da Honda, da Seiko, da Toyota e da Nissan, do jornal maior do mundo, o Yomiuri. Estes construtores de um novo país têm incessantemente proclamado acima de tudo a sua fé na inteligência. O progresso industrial baseia-se na circulação da informação. O Japão é o país mais bem informado do mundo. Para dar um exemplo: a Mitsui dispõe de uma rede de telecomunicações de 400 000 km, tendo vinte e quatro linhas directas para Nova Iorque; recebe diariamente quatro mil mensagens – mais que todos os ministérios portugueses juntos. Existe uma estreita ligação entre o marketing e a actividade produtiva; a Toyota, por exemplo, só produz o número de automóveis que pode vender. Os sistemas económico e industrial são rapidamente permeáveis às inovações técnicas. São mesmo sensíveis à estética: as operárias de uma fábrica em Tóquio usam uniformes desenhados por Pierre Cardin.

Pode dizer-se que o progresso japonês é apenas devido à inteligência, condicionada a três factores: o sistema de educação, a constante procura de inovação e a disciplina da organização, incessantemente aperfeiçoada.

Os elementos essenciais do sistema nipónico têm sido a produção industrial e o comércio externo. Uma das principais tarefas da diplomacia japonesa tem sido realizar a coordenação e expansão económica ao nível internacional.

A organização política e económica, embora com muitas limitações, não sofre dos defeitos e absurdos, nem da rotina, do capitalismo ocidental. O Japão adoptou do Ocidente princípios capitalistas e princípios socialistas, e sobre estas duas filosofias políticas instalou um pragmatismo são e eficaz – simbiose esta que só poderia ser realizada por quem está de fora tanto da filosofia capitalista como da comunista e pode recorrer ainda a uma forma de pensamento diferente de ambas, de raiz asiática.

Mas antes desta adopção de ideias e métodos estrangeiros está o propósito fundamental de criar um país novo, assente em novas estruturas, embora guardando ciosamente o fundo da sua ética, língua, cultura e carácter social.

Os Japoneses responderam ao desafio do Ocidente modificando a sua sociedade e elaborando um sistema de valores que visa o progresso nacional e o convívio internacional, num mundo novo orientado para a divisão internacional do trabalho e a harmonização do comércio mundial.

(…) Uma sociedade é um complexo de estruturas humanas, cuja evolução se vai
acelerando. Enquanto o Ocidente se preocupa cada vez mais com a sua segurança (…), o Japão concentra-se nos problemas da intensificação do progresso, da automatização, da humanização das grandes cidades, na regeneração do ambiente, na redução do tempo de trabalho, no preenchimento dos tempos livres, no aumento da cultura, em abrir largas perspectivas sobre o século XXI.

Cobrindo uma vasta extensão de terra e mar, rica de recursos, contando quase metade da população mundial, a Ásia começa a tomar consciência da força da sua identidade.

Aqui estão situados países de economias muito dinâmicas, como, além do Japão, a Coreia do Sul, a Formosa, Singapura; mais tarde será a China, cujo desenvolvimento, como previu Napoleão, vai provavelmente decidir o futuro do mundo.

O Japão, procurando guardar a sua identidade e pertença à Ásia, quer alargar ao mesmo tempo os seus laços com o Ocidente, dupla posição que poderá favorecer o esclarecimento de uma política comum nos problemas Norte-Sul e trazer benefícios ao progresso mundial.

Escritores há que prevêem que o próximo milénio será de predomínio da Ásia.

O Japão seleccionou do Ocidente as ideias e os estímulos que pudessem revitalizar a sua antiga civilização, e é o único país não ocidental a atingir uma industrialização plena. Combinando as novas ideias e fontes ocidentais com as herdadas do seu passado, o Japão está a criar uma nova cultura e a abrir novos caminhos às gerações do futuro.

O Japão criou uma nova forma de capitalismo, bastante diferente do original
ocidental. A originalidade e a criatividade com que o Japão formou as suas novas estruturas políticas e económicas oferecem matéria para séria reflexão. A vida política e a actividade económica nipónicas estão impregnadas de uma sabedoria oriental e de valores estéticos orientais que não têm equivalente nos países capitalistas do Ocidente.

Mas só a ciência e a tecnologia ocidentais podiam permitir o espectacular sucesso do Japão moderno.