Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Em memória de Manuel Pedro do Rio-Carvalho (1928-1994)

 

                                     

É para mim um imperativo e sobretudo um privilégio poder evocar a memória do Historiador de Arte e Professor Manuel Pedro do Rio-Carvalho. Fui sua aluna nas disciplinas de História da Arte e no seminário de Historiografia da Arte em Portugal na segunda metade dos anos de 1970, e por ele voltei em 1984/85 à Faculdade de Letras da então Universidade Clássica de Lisboa para frequentar a sua disciplina sobre as Artes do Espectáculo. Nessa altura, já estava desde 1981 e por seu convite, como sua assistente nas disciplinas de História da Arte e Introdução à de História do Design no IADE, como o voltei a ser anos depois na Fundação Ricardo Espírito Santo.

Provavelmente, a maioria dos participantes reunidos nesta sessão do Cento Nacional de Cultura em sua homenagem, tê-lo-á conhecido, escutado ou lido alguns dos seus artigos. Somos os privilegiados que temos o dever de preservar a memória de um Professor inspirador, um conferencista apaixonado, intuitivo e inovador, um estudioso que, diante de uma pintura, um vaso de Gallé ou de Rafael Bordalo Pinheiro, um edifício civil ou religioso, tinha um dom raro e excepcional: o de conseguir capturar e compartilhar a sua leitura sobre a originalidade de uma obra de arte, a sua produção e especificidades, quantas vezes em sínteses insuperáveis.

De uma grande independência de espírito e carácter, frequentemente acutilante e de uma franqueza surpreendente, era de uma total generosidade ao compartilhar os seus conhecimentos e a sua imensa cultura. Inspirador, prendia pelo dom da palavra – precisa, sensível, vibrante – tanto a especialistas como a um público de curiosos ou não iniciados.

Devemos-lhe múltiplos artigos – muitas vezes plagiados, sublinhe-se – e que urge serem reunidos num volume, tanto mais por se encontrarem dispersos em várias publicações, nomeadamente na extinta Colóquio. Artes, no semanário Expresso, no Jornal de Letras, ou em vários catálogos de exposições. Deixou-nos em 1986 a direcção de um volume da História da Arte em Portugal das Publicações Alfa sobre o período que mais estudou, “Do romantismo ao fim do século”, e nesse mesmo ano o livro dedicado à pintora Emília Nadal, mas destaco sobretudo a sua inovadora tese de licenciatura em Ciências Históricas e Filosóficas intitulada Tentativa de caracterização e valorização de l'Art Nouveau através das artes decorativas, que deu a conhecer em 1954 e fez descobrir a várias gerações de alunos e estudiosos o movimento Art Nouveau, tese que continua à espera de ser publicada, só podendo ser consultada na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

O pintor e também professor Eduardo Batarda, num depoimento para a Fundação Calouste Gulbenkian, a propósito da exposição Professores que teve lugar no CAM, declarou: “Pensei sempre que o Manuel Pedro do Rio-Carvalho era um professor de grande qualidade, e um anjo na terra.” Como gostaria de ter sido a autora destas palavras, eu que lhe devo quase tudo na minha formação e percurso profissional…

Muito obrigada.

 

Maria Helena Souto

Lisboa, 15 de Junho de 2011

 

2 comentários

Comentar post