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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

 

 

A time for hope and optimism, 2016 - …

 

Quite a busy week! Aos 90 anos, sorriso a azul claro, HM The Queen simplesmente deslumbra na abertura da Fifth Session of The Scottish Parliament. Elizabeth II fala na conjuntura especial do post-Brexit UK.

Observa que “occasions such as today are rightly a time for hope and optimism.” Aponta para “deeper, cooler consideration of how challenges and opportunities can be best addressed.” Exorta à inspiração política ancorada sobre “the founding principles of the Parliament and the key values of Wisdom, Justice, Compassion and Integrity”. — Bonjour, mes chers amis. Oú allez vous? Há 100 anos, na última noite em Downing Street, a leitura ocupa o PM Herbert Henry Asquith. Conta Margot, Countess of Oxford, que vê HH a ler The Bible. O liberal pausara a tradução de Mr R Kipling para Greek com que ocupa a mente desde a cruenta catástrofe no Somme. Britânicos e franceses haviam atacado a linha alemã na alva de 1 July 1916. Morrem ao ritmo de um por segundo. Um milhão de vidas cai nos dois lados das trincheiras. — Humm! War is an expression of politics by other means. O refrescamento das lideranças acelera. Depois dos Tories, também Mr Nigel Farage MEP se apeia no Ukip e RH Jeremy Corbyn está cercado no Labour. Na Number 10 Race, uma mulher arrumará a casa: RHs Andrea Leadsom ou Theresa May. A Home Secretary lidera, após dramático abandono da corrida por RH Boris Johnson na sequência da aparição de moderno Macbeth na corte de Sir Cameron. Na contagem decrescente para a divulgação pública do Chilcot Inquiry sobre a Iraq War, aposta-se em Mr Andy Murray nos Wimbledon Championships. No Euro 2016, o admirável Team Wales vence Belgium e ruma às semifinais face a… Portugal.

 

 

Sunny, bright days, with light clouds, occasional rains and even warm winds at Great London. A névoa matinal cedo se esvai. Já a luta entre independentistas e globalistas continua ao rubro. We, The People have spoken - but... Só com voo da imaginação se acompanha a trama líquida. A espiral dos dias intima a literacia no New Pressure Political Cooker Cookbook! Analisemos. Os grandes prestigitadores ocupam a praça mediática, em toda a linha; enfatizando as divisões. Uma catch-all march enche Westminster Square, com fumos vermelhos e cânticos de Love EU. Mr Toni Blair manobra a big selling message: "The will of the people could change after exit negotiations.” Donde, em vésperas do Iraq War Inquiry e do temor da crucificação de Asquith: “Don't rush to Brexit - we've got to keep our options open!". O dossiê é agora The Project Fact. I. é Project Fear II, ou encenar the Brexit chaos. Porém, abramos com as indispensáveis palavras de Her Majesty nas Highlands. Por extenso, a fim de vero entendimento. Primo, parar: “We all live and work in an increasingly complex and demanding world, where events and developments can, and do, take place at remarkable speed; and retaining the ability to stay calm and collected can at times be hard.” Secondo, ver: “One hallmark of leadership in such a fast-moving world is allowing sufficient room for quiet thinking and contemplation, which can enable deeper, cooler consideration of how challenges and opportunities can be best addressed.” Terzo, ouvir: “I am sure, also, you will continue to draw inspiration from the founding principles of the Parliament and the key values of Wisdom, Justice, Compassion and Integrity that are engraved on the mace.”

 

 

So, what about The Politics of The Day? Desde as datas do fim de Lady Thatcher em Downing que nada de símil se vira; então com um justérrimo adicional de homicida enclausurado nas sidelines ao invés da indecorosa alternativa de ocupar The First Chair. O vácuo do poder é sempre terrível. Daí, aliás, a treinada presteza com que cá se fazem mudanças no Number Ten. A coisa é tal, que a literatura logo é chamada à interpretação. As referências invocam cena de The Sopranos (in the Middle-earth, of course), Game of Thrones ou The Tragedy of Macbeth. RH Boris Johnson é assassinado pelo seu chefe de campanha, ao vivo, na televisão, a horas da candidatura a Prime Minister. O ato visa ser fatal para o Brexiter: adaga bem na testa, a fim de não mais colher votos na floresta. Tal qual como a Sir Cameron, que ao ávido ofertara o posto em Whitehall, ao par falham… “that executive authority, that strength of purpose, that clarity.” A Premier, antes outro: Ele! Para o demonstrar, lê a radical 5,000-word manifesto. “Treachery! Brexecution!,” ecoam as Houses of Parliament. O Tweetminster ensandece. “Gove’s betrayal of Boris must be one of the most treacherous in Tory history. More brutal than Geoffrey Howe & Margart Thatcher,” sintetiza Mr Sebatian Payne. Rádios e jornais pontificam: “Et Tu Brute!” A autópsia da intriga ocorre ontem, finalmente, em technicolor, na BBC. O Justice Secretary é etiquetado por Mr Andrew Marr como “a political serial killer,” com punch question saída do sinistro livro de Lord Dobbs: "House of Cards - you're our Frank Underwood, aren't you?"

 

Que estranho alinhamento de planetas estará a ocorrer? A explicar the snake in the grass, temos voraz Lady Macbeth! Conclui-se que o vento eureferendário ainda está a passar e tudo levará. Os ajustamentos na political landscape são duros. Em pico de crise (= desafio + oportunidade), o comum desassossega e o pigmeu mira o colosso. Ora, os partidos em cacos rogam por mão. Por graça das estrelas, várias mulheres avançam já de vassouras em riste. Se no continente domina a Bundeskanzlerin Frau Angela Merkel e além Atlantic rola a Senator Hillary Clinton, do lado de cá do Channel sobrevém lote feminino cada vez mais resoluto. Os Tories agendam o first round vote na sucessão do PM Cameron: RHs Stephen Crabb, Liam Fox e Michael Gove escoltam as favoritas Leadsom e May. Na Labour Party Civil War sobressai a Shadow Cabinet Angela Eagle para revezar Comrade Jeremy Corbyn, após 80% do PLP aprovar bizarra moção de desconfiança e a todas as horas do dia clamar pela sua demissão. Já o Ukip ostenta a ida (e suspensa) Deputy Chairwoman, Mrs Suzanne Evans. — Well! In A Midsummer Night’s Dream recognizes Master Will those unusual women. At the royal court, when Theseus puts Hermia before two choices—either to die the death or abjure for ever the society of men, her reply comes with calm assertiveness: So will I grow, so live, so die, my lord, … My soul consents not to give sovereignty.

 

St James, 4th July
Very sincerely yours,
V. 

PS: Happy Fourth of July, dear M!

 

 

LONDON LETTERS

 

 

Decision Time, 2016 June 23

 

Bandeiras a meio mastro nas Houses of Parliament, flores em Westminster Square e lágrimas nas bancadas dos Commons. Uma branca e outra vermelha, duas rosas assinalam o lugar vazio de RH Jo Cox MP, 42. O choque une as hostes partidárias também num Remembrance Service na St Margaret’s Church, em tributo 

à deputada trabalhista assassinada numa rua de pacata town village de West Yorkshire. A decent, warm and joly person, dizem quantos a conheceram. Também uma defensora da estada do UK na European Union, da liberdade de movimentos e da política de portas abertas. Desconhecida ainda a exata configuração da tragédia, às mãos de um tonto local algures salpicado de fanatismo, cedo há quem não resista a triste, divisiva e oportunisticamente politizar a perda de uma vida na campanha euroreferendária. — Chérie. Avez vous l’esprit de l’escalier? O trovão e a fúria da batalha entre o In or Out baixam de tom. Mas o ar ainda crepita. — Hmm! The choice is ours. As operações antiterroristas, o alarme e o medo sucedem-se no menu mediático. Estado de alerta zune em Brussels e nos estádios do Euro2016. Nos US, um britânico é detido por atentar contra o aspirante republicano na White House Race. Já Mr Donald Trump visita o reino e o NYT faz contas à sua candidatura: dispõe de $1.3 milhões face aos $42m de Mrs Hillary Clinton.

 

 

Wonderful nights and very fine days at Central London. A atmosfera húmida do veraneio assiste à dramática descida da temperatura política, após espessa bomba de fumo lançada por imaginativo Chancellor of Exchequer ocupado em guess £30b work em orçamento post-Brexit. Ora, desde May 11, 1812 que o sangue não perspassa tão intensamente o Palace of Wesminster. A violência é por definição alheia ao regime, mas aqui e ali até as sociedades abertas atemoriza. A competição de visões tem procedimento retórico e protocolo eleitoral do princípio ao fim. Ontem, porém, um negociante ensandece e alveja o Prime Minister RH Spencer Perceval em pleno Lobby da House of Commons. Hoje é uma jovem e ativa deputada, eleita em 2015 pelo Labour Party, a perder a vida às mãos de insanidade assassina. Muito se supôs, diz e escreverá sobre o homicídio executado em Birstall, logo depois da MP open surgery na biblioteca local. No atordoado dia seguinte, entre testemunhos de perturbações e de elos a organizações nazis, um tabloide dispara premeditada bala política na primeira página: “MP dead after attack by Brexit gunman.” A Yorkshire Police dispensa suposições sobre a mente assassina, que guarda atrás das grades. Seja como seja, loucura do presente ou agravo do passado, começa público trabalho das emoções na reta final para o voto que decidirá o abandono ou a permanência do reino na European Union. A tendência altista do Leave cessa de bater nas sondagens e até os mercados acalmam.

 

Imagem perfeita do estado do British public é RH Jeremy Corbyn. O líder do enlutado Labour Party está hoje no primetime da Sky News e todo ele, da voz aos gestos e atitude, denota um desconfortável reluctant Remainer. O próprio admite o que tantos lhe criticam pela quase ausência do debate referendário. As memórias ainda pesam. Também nas Sunday politics, um agora calmo Prime Minister RH David Cameron vivera cena terrífica ao seu EU deal ser comparado no BBC Special Question Time a nenhum outro senão o Munich agreement de RH Neville Chamberlain em 1939. Jez enfrenta exigente audiência de jovens e o mínimo a dizer do teste é ser honesto desempenho. Declara não ser “an lover of the European Union,” antes um internacionalista que equaciona o Yes, Brussels como mal menor - numa “EU that must dramatically change.” Facto incontornável é que, até chegar à red leadership, o senhor era um assumido eurocético. Aliás, a private joke tem lugar no novo blogue do CNC: os dois lados do argumento In/Out vêem Comrade Corbyn como a double agent, dada a tardia mobilização do voto trabalhista. Quando tal pergunta soa, ouve-se mesmo o suave destrunfar - “I’m not going to take blame for people’s decisions - there will be a decision on Thursday.” No mais do espinhoso voto de 23rd June: Only 72 hours to go…

 

 

Uma breve nota sobre a fantástica missão espacial do Major Tom Peake a fechar esta missiva. A garotada, e não só, explode já em curiosidade cosmológica. Oficial do Army Air Corps colocado no ESA’s Centre de Cologne (Germany), o astronauta de Chichester regressa to Earth após seis meses na International Space Station. Desde December que observa o planeta à altura média de 248 milhas e a velocidade tal que completa a circunferência terreal a cada 90 minutos. Com os pés no solo, cedo regista saudades da visão orbitral. O seu rosto denota algo da beleza colhida ao sobrevoar mares e continentes a ritmo diário do ir à lua e voltar. Sorri, em contínuo. — Well! In the sonnet of Lucrece says Master Will something about that heavenly effect: Beauty itself doth of itself persuade, The eyes of men without an orator.

 

St James, 20th June
Very sincerely yours,
V.

LONDON LETTERS

 

 

God Save The Queen, 1926-2016

 

Good heavens! Temos a Rainha! Dias encantadores nas comemorações do aniversário oficial de Elizabeth II, abençoados quer com a chuva do English Summer e a Trooping the Colour Parade, no recinto dos Horse Guards, aqui em Whitehall, quer ainda com momentânea pausa na arrebatada campanha do euroreferendo.

 

 O Happy 90th Official Birthday Your Majesty soa em múltiplos sotaques, pois as 3-days celebrations expandem-se por todo o United Kingdom e também pelos 53 países da Commonwealth. Momento alto é o Patrons Lunch, “the first big ever street party,” que reúne 10,000 pessoas no Mall e é razão de adorável curiosidade até nas janelas do Buckingham Palace. Também o Prince Philip lá completa uns rijos 95 anos. — Chérie. Jeunneuse pauresse, viellise pouilleuse. O contraste é imenso com os infortúnios do resto do mundo. — Hmm! The best things in life are free. O Euro 2016 de futebol vira batalha campal em Paris. E o horror volta a atacar em massacre nos USA. Notem as estatísticas: 50 mortos e 52 feridos em Orlando, somam a 5,963 pessoas assassinadas no país desde o início do ano, no 998.º mass shooting em 912 dias. O caso incendeia a White House Race, sob retórica explosiva de Mr DJ Trump, quando os democratas escolhem primeirísima mulher como candidata e Mrs  Hillary Rodham Clinton tem sérias possibilidades de ser the next President e the first female leader of the Free World

 

 

 

A beautiful English Summer at Central London. Marca até presença o fator que dá razão de ser ao duplo aniversário de Her Majesty: The British rain over us. Nascida a 21 April 1926, desde a coroação aos 25 que tem dia oficial de anos agendado para a Saturday in June. Desta feita recai a 11 June. A flutuante data deriva de as festas do nascimento de monarca implicarem uma parada militar e a coroa querer as hostes a marchar sob o sol do veraneio. O King Edward VII, bon vivant, nasce a 9 November e baila o official birthday entre May ou June nos dias de trono. A tradição remonta a George II e a crível intempérie na Birthday Parade de 1748. Ora, o céu sorri durante magnífico Trooping the Colour no quartel que outrora foi do Duke of Wellington (das guerras peninsulares) e com uma lovely Granny a passar revista a aprumados regimentos em carruagem vintage. Tudo cedo muda. Como anota o Duke of Cambridge, porém, “the Great British public doesn't let a little rain spoil a good day out.” Enjoying the weather, pois, eis longa procissão de cerimónias abertas em St Paul's Cathedral, com festas de rua pelo reino e pubs abertos fora de horas. A rainy party atmosphere envolve depois o nóvel Patron's Lunch, em plena alameda do Mall, com mesas de piquenique reunindo membros de 600 charities e toda a Royal Family em vivo exercício da art of small talk. Os sorrisos dizem da emoção geral. Em inesperado discurso final, “of gratitude,” The Queen tem o remate de ouro: ― “How I will feel if people are still singing “Happy Birthday” to me in December, remains to be seen!”

 

A constância real é epecialmente visível na conjuntura referendária. Os eventos da campanha sucedem-se a ritmo vertiginoso. Assim o determinam… The Physics of British Political Life. Em acelerada contagem decrescente e porque “when it rains it pours,” o Boris Factor marca a metereologia eleitoral. O RH Boris ‘Out’ Johnson participa no primeiro, televisivo e verdadeiro debate digno do termo, frente-frente, com alinhamento contrastado de argumentos e de visões. E não há volta a contrariar na reação: os Leavers tendem a maré cheia. Ora, se acaso os Brexitters obtiverem êxito na consulta do dia 23 sobre o In/Out do UK na European Union, decerto verei doravante os ilhéus como rebeldes gauleses em aldeia inteiramente rodeada por legiões romanas: The Few and, The Brave. Recordareis que as personagens de Hergé só temiam que o céu lhe caísse em cima! Pois bem, os weather man persistem em dramatizar o mágico cenário do medo maior. Ilustração? RHs Tony Blair e John Major unem as forças centristas para conjeturar, em Northern Ireland, que eventual Brexodus trará a quebra do United Kingdom e ainda do processo de paz irlandês! A desunião nacional, quiçá com terrorismo republicano, portanto, além dos riscos de World War 3 e recessão global, das retaliações europeias e isolamento atlântico, da subida das hipotecas e queda dos salários... Mais, e pior: nos recentes avisos de Barmagedeon, adverte o Prime Minister David Cameron que também as pensões e reformas cairão, o preço dos passes nos transportes subirá e até as free tv licences se esfumarão se os Brits instruirem HM Government para a porta de saída.

 

So: Darling you got to let me know / Should I Stay Or Should I Go? Cantam os Clash e equacionam os jornais do reino. Se The Guardian apoia a ala dos Bremainers e a BBC vota «nim», o mais popular tablóide cá do sítio faz capa com o título Be Leave in Britain embrulhado até nas tricores da Union Jack. The Sun traça a cruzinha do voto e editorializa na primeira página: “We must set ourselves free from dictatorial Brussels.” Ecoa teses de a EU massificar a emigração e ferir empregos, habitação e salários. A manchete é até um Ukip motto: “Believe in Britain. Together we can do great things.” O sinal pesa. O diário de Mr Rupert Murdock tem historial de escolher vencedores improváveis, da Tory Lady Thatcher ao Labour PM Blair. É o que é. A Brexit lidera o jogo, nalguns casos com 7% de avanço, mas a média dos 12% indecisos nas sondagens mantém o too close to call. Donde, no mais do enigmático voto de 23rd June: Only 9 days to go…

 

Com o suspense ao rubro e o desassossego a espiralar nas chancelarias do Atlantic aos Urals, tempo já para devido God save The Queen a par de delicioso apontamento de migração natural. O voo da gaivina é escoltado por cientistas da Newcastle University. Começa nas Fame Islands no último July e segue rota pelas costas de Northumberland até o Antarctica’s Weddell Sea, para regressar à ilha com os ventos quentes. No total são 59,650 milhas percorridas pelo little tern, de penugem brancocinza e bico vermelho, o equivalente a dupla circunferência planetária. Em semana de abertura da Royal Ascot Horse Race, há espécies que só podem mesmo suscitar a humana admiração. — Well! The order of things weights, but also commit to memory Master Will in “The Tragedy of Hamlet, Prince of Denmark:” We know what we are, but know not what we may be.

 

St James, 14th June
Very sincerely yours,
V.

  

LONDON LETTERS

A Liberty Day to remember1.jpg 

 

A Liberty Day to remember, 1944-2016

O dia abre com o toque dos sinos de St. Martin's Church, em Asnelles-sur-Mer (France). Normandy recebe as comemorações do 72nd Anniversary do decisivo D-Day na II World War. Começa então dura marcha para a liberation of Western Europe do controlo da Nazi Germany. — Chérie. Qui vivra verra.

 

A Liberty Day to remember2.jpg

Deste lado do English Channel ninguém sabe onde politicamente estará o UK no day after do euroreferendo, só cá ou cá e lá, mas no day before aos votos vem… The Donald. Já com delegados bastantes e relutante establishment no bolsilho do colete, o putativo candidato republicano na White House Race Mr DJ Trump viaja até Britain para inaugurar um dos seus campos de golfe nas belas terras altas. — Hmm! Better an egg today than a hen tomorrow. Mr Andy Murray perde o French Open para Mr Novak Djokovic, o primeiro e glorioso tenista em meio século a conquistar all the four Grand Slam titles at once. Pope Francis decreta a expulsão dos bispos desatentos a casos de abusos de menores ou adultos vulneráveis. Um novo e improvável herói global é santificado, com a partida do boxeur Mr Muhammad Ali e ido Cassius Clay (1942-2016). Para muitos ele é o gigante do ringue, para muitos outros é "a man who fought for us."

 

A Liberty Day to remember3.png

A beautiful sunshine here at Central London. As atenções dividem-se com as comemorações além Channel da Winston’s codenamed Operation Neptune. A 6 June 1944, em plena incerteza quanto ao desfecho na longa II World War, começa a invasão do continente pelas tropas dos Allies. Testa-se a dita inexpugnabilidade do Atlantic Wall, erguido nas eurocostas pelas forças militares nazis. Linha da frente na Operation Overlord, destinada a libertar politicamente o continente da suástica do III Reich, as manobras bélicas de desembarque são violentamente sangrentas mas decisivas na vitória face a Herr Adolph Hitler. Para a história, gravado a fogo, ficam cerca de 1,000 mortos alemães e nada senão 10,000 baixas entre os soldados americanos, britânicos e canadianos que atravessam os cinco infernais setores anfíbios de Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword Beach. Solene RIP, pois. 

 

A batalha no seio do conservadorismo está similarmente ao rubro, e a blueonblue é pessoal. Vejamos se não perco o fio da meada tribal. Antes do referendo e da divisão das águas entre Inners & Outers, eles eram os melhores amigos em Whitehall. Presidem à Cameron’s era em Downing St. Depois, depois, tudo a Europe leva. Cameron diz Boris como a kind of traitor. Gove diz Cameron & Osborne roughly dishonest. E Osborne diz Boris & Gove like Farage, um dos supervilões na narrativa dos Bremainers. Notando que todos estão no coração do executivo, a dúvida que resta é saber o que restará do Cam Govt no final da contagem dos sufrágios sobre o YES or No à permanência do UK na European Union. Há melhor, além da nuvem atlântica que Mr Donald Trump trará dos US e do guess work caseiro. O ex PM RH John Major acusa RHs Boris J & Michael G de “misleading the public” (Woah! Do I/Do we really feel misled?). RH Gove reage e rebatiza o guião dos Remainers como Project Lies. O duo dos Brexitters escreve até a Sir David Cameron de dedo em riste: “You’ve deceived public on the economy” (Sunday Telegraph). Acresce uma unholly alliance: o Premier faz campanha em Oxford com o Labour In e ainda em London com o Mayor Sadik Khan. Tudo isto quando, a céu aberto, todos debatem the next conservative captain e os futuros papéis de Tory King or Tory Kingmaker.

 

Mas são os grandes debates que iluminam já uma nova fase da ruidosa peleja euroreferendária. O Prime Minister RH David Cameron e o Secretary of Justice RH Michael Gove são sucessivamente entrevistados na Sky News em formato peculiar. Ao invés de tradicional frente-a-frente, o Number 10 contorna a blueonblue battle com um duplo programa televisivo: primeiro vem forensic interview aos protagonistas por um sensacional Mr Faisal Islam, seguida de um período de perguntas e respostas por membros do público em estúdio. Apreciação sobre este reality check? O PM é grelhado ao vivo e o seu honorável amigo revela-se robusto orador. Os estilos são idênticos: combativos gladiadores da retórica. Assim: Um adverte os nativos contra a self-harm economic act e o outro pede aos Bretões to trust themselves para navegar na globalização. Os efeitos de cada qual ver-se-ão dentro de momentos. Pontos fortes: the framing argument pela discreta estrela do conservadorismo britânico de a EU ser “a job's destroying machine;” e o apelo de resiliente Premier  ao eleitorado para “do not roll the dice on Europe.” Mais a interrogação do ano ‒ “Prime Minister, what comes first? WW3 or the global Brexit recession?” No mais do interessante voto de 23rd June: Only 16 days to go…

 

As alas ligeiras da luta referendária também se movem. RH Nigel Farage anuncia na LBC que equipa uma flotilha do UKIP para vogar no Thames River e, frente ao Palace of Westminster, bradar que “We Want our waters back.” O Labour Leader RH Jeremy Corbyn igualmente assoma à cena, mesmo assim, apenas por breves momentos, primeiro acusando a BBC de discriminação (mau sintoma no party management) e, depois, ainda para não proferir previsto discurso sobre o futuro da Union mas sim hastear os ideais e as políticas igualitárias da esquerda ideológica em europês. Se assim confirma a perceção de, em política europeia, ser uma alma agnóstica, a intervenção tem o mérito de lembrar que nas causas do estádio de pré-desintegração da EU está a agenda política do austeritarismo.

 

A fechar, um ramalhete de observações enquanto aguardo por cortejada cópia do Chilcot Inquiry sobre a Iraq War. Fim de uma era na High Street: a cadeia de lojas BHS cerra as portas, conservando memórias no meu guardaroupa. Cheias em Paris encerram o Louvre Museum e colocam em alerta verde os diplomatas do Quais d'Orsay. O 2016 Global Slavery Index divulga que mais de 45 milhões de humanos são explorados à volta do globo, dos quais “1.2 million are in Europe.” O antigo vice-chancellor da Oxford University Lord Neill of Bladen despede-se aos 89 anos, com legado académico e de crossbench peer na House of Lords. O Brexit Movie soma inesperado sucesso no gallant James’ Circle. — Well! Let us have off pat Master Will at that mountainous country with a cave in “Cymbeline:” Hark! the game is rous’d. O Cymbeline! heaven and my conscience knows (…) The game is up.


St James, 6th June
Very sincerely yours,
V.