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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

A FORÇA DO ATO CRIADOR


A singularidade da arquitetura não é abrigar uma vida cómoda, estável nem garantida.

“Construir é colaborar com a terra; é pôr numa paisagem uma marca humana que a modificará para sempre…”, Marguerite Yourcenar


A arquitetura é um fenómeno de grande complexidade que liga o mundo à vida humana. É vazio mas também limite. É uma totalidade que dá forma a volumes no espaço que encerram em simultâneo vários objetos e vários pensamentos. A arquitetura concretiza ideais de preenchimento, de posição, de encontro, de movimento e de tempo. É a forma que encerra o nada e matéria em transformação.


A arquitetura realiza-se no espaço verdadeiro e tangível que é ocupado pela atividade do nosso corpo. Vem do desenho e da mão humana. Por isso é também invenção, meio de expressão, meio de transmissão de pensamento e um símbolo.


“Cada pedra era a estranha concreção de uma vontade, de uma memória, por vezes de um desafio. Cada edifício era a o plano de um sonho.”, Marguerite Yourcenar


A arquitetura é um conjunto de partes cujo comprimento, a largura e a profundidade concordam entre si de uma certa maneira e constituem um sólido inédito, com um volume interno, uma massa exterior e uma sensibilidade às variações da luz. A relação entre o volume interno e a massa exterior varia no tempo e talvez seja aí que resida a originalidade mais profunda da arquitetura. Os volumes externos ao formarem o espaço oco, fazem surgir inesperadamente um elemento novo no meio das formas naturais - é assim concebido uma espécie de avesso do espaço. O ser humano age sempre no vazio, no exterior das coisas, está sempre de fora. Se quiser entrar no interior dos objetos tem de os quebrar.


A singularidade da arquitetura não é abrigar uma vida cómoda, estável nem garantida mas sim contribuir através de uma sucessão de espaços interpenetrantes para a lenta transformação que a breve vida humana apresenta e colocá-la incessantemente em contacto com o cosmos que a rodeia. A arquitetura será sempre e acima de tudo uma experiência que compreende a produção e a receção, a atenção e a participação, a imaginação e o corpo, o pensamento e o mundo.


Ana Ruepp