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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

A FORÇA DO ATO CRIADOR

  


Por uma cidade humanizada.


Cities must never be allowed to stop breathing.” Jaime Lerner (Lerner 2014, 7)


Acupuntura Urbana,
de Jaime Lerner, é um conceito concretizado através da vivência tangível de uma cidade. É um conjunto de soluções práticas e possíveis que prometem resolver os múltiplos e complexos problemas urbanos.


“As cidades não são problemas. São soluções.”, Jaime Lerner


A cidade, de acordo com Jaime Lerner é um organismo vivo e o cuidado e a intervenção estratégica e pontual podem trazer mudanças em grande escala. Ao revitalizarmos os sinais vitais de uma determinada área estamos a contribuir para a reinvigoração de toda a área circundante. Intervenção é sinónimo de fazer um organismo reviver através de estímulos perspicazes, táticos e habilidosos. Novas abordagens e novos pontos de vista acordam uma cidade. Um plano é um processo que pode demorar anos a concretizar-se. Mas a acupuntura urbana funciona como um incentivo local, não necessariamente planeado, eficaz, rápido e de escala muito limitada. É uma cura exata e precisa, um simples começo que poderá ou não despoletar uma mudança mais alargada.


“Good acupuncture is about drawing people out to the streets and creating meeting places. Mainly, it is about helping the city become a catalyst of interactions between people.”, Jaime Lerner (Lerner 2014, 47)


As medidas concretas, propostas por Jaime Lerner, tentam contribuir para a construção de uma cidade mais humanizada e são as seguintes:


. Polifuncionalidade;

. Promover do encontro entre pessoas;

. Existência de várias velocidades e de vários meios de transporte que se completam e que permitem um uso controlado do carro;

. Ruas com vida (através de ruas onde as pessoas possam andar, com lojas abertas durante 24 horas, com comércio ambulante, com mercados e galerias e que servem múltiplos usos);

. Preservar e restaurar a identidade cultural de um lugar para que seja experienciado (a memória de uma cidade é um ponto de referência vital, capaz de recuperar um sentido comum de coletividade e de pertença);

. Construir em pequena escala;

. Dar importância a pequenas e simples pre-existências;

. Nada fazer, sempre que for necessário;

. Incentivar a atenção e a dedicação, por parte de cada habitante, à cidade;

. Constante presença de sons e de cores variados;

. Continuidade (ao eliminarem-se os vazios e abandonados lugares urbanos);

. Salvar, nem que seja temporariamente, estruturas devolutas e perdidas;

. Integrar ricos e pobres, através da mistura de pessoas de várias idades no espaço público e no espaço construído;

. Garantir o fornecimento de infraestruturas, serviços e emprego em bairros clandestinos;

. Estimular o conhecimento aprofundado do lugar onde se vive;

. Aproximar a casa do trabalho;

. Plantar árvores nas ruas;

. Introduzir espaços que contribuam para o uso da memória e da imaginação - a praça serve para observarmos o mundo, o parque ajuda-nos a descobrir o que existe para além de todos os limites físicos;

. Urgência em construir objetos abertos para a cidade.


Através do exemplo de Curitiba e da sua acupuntura urbana, Jaime Lerner deixou-nos a possibilidade de transformar a cidade, com pequenos gestos, num espaço onde a fusão e coexistência de inúmeras atividades humanas acontecem incessantemente: “The more you blend incomes, ages and activities, the more human the city becomes.”, Jaime Lerner (Lerner 2014, 63)


Ana Ruepp

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