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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO

 

LXXIII - UMA SÍNTESE EVOLUTIVA (VI)


Como exemplo paradigmático da importância da língua portuguesa na CPLP, concluímos que a fala comum é a força que lhe dá movimento e a sua imagem de marca, antepondo-se a componente linguística e cultural em geral a outras componentes, como a económica. 


Na União Europeia hipervaloriza-se a componente económica e monetária, secundarizando-se o problema linguístico. 


Nesta perspetiva, a sobrevivência e o futuro da língua portuguesa joga-se sobretudo na lusofonia, nomeadamente via CPLP, e não na UE, onde além da predominância do fator económico, se tem sobreposto, na prática, um regime de plurilinguismo restrito (unidade sem diversidade), progressivamente afastado de um critério formal fundado num regime de pluralismo linguístico geral baseado na igualdade linguística (diversidade sem unidade).   


Na prática, para a burocracia de Bruxelas, predomina o conceito economicista sobre os alegados custos de uma Europa multilingue, pelo que a UE tem, de facto, tido uma atitude linguística interna apologista de uma política progressivamente monolingue. 


Das atuais línguas oficiais da UE, o português é tido como uma língua dominada, em número de falantes e a seguir, por ordem decrescente, ao alemão, francês, italiano, espanhol, polaco e holandês, em paralelo com o checo e grego, mas acima do inglês, dado o Brexit e ser apenas idioma oficial, por agora, na Irlanda (embora paradoxalmente o inglês domine, uma vez falado pela potência mundial dominante).   


O mesmo não sucede tomando como referência o critério objetivo de difusão mundial das línguas, em que a portuguesa é uma língua dominante e em crescimento, essencialmente pelo contributo do Brasil e potencialidades dos países africanos lusófonos, nomeadamente de Angola e de Moçambique, o que deve ser visto sem complexos por Portugal, à semelhança do que sucedeu (e sucede) pela  globalização do inglês por influência dos Estados Unidos em relação à antiga potência colonizadora, pois serão os descendentes e colonizados da velha Europa imperial os futuros impérios linguísticos.   


Segundo Ivo de Castro, “A história da língua portuguesa pode ser resumida numa frase: falamos uma língua que nasceu fora do nosso território (de nós, portugueses) e cujo futuro será em larga medida decidido fora das nossas mãos. A língua portuguesa, numa visão temporal ampla, acha-se de passagem por Portugal”.    

 

12.02.2021
Joaquim Miguel de Morgado Patrício