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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO

 

XXXII - GLOBALIZAÇÃO E PODER LINGUÍSTICO

 

Os avanços técnico-científicos permitiram uma globalização de vizinhança do mundo que nos rodeia. 

 

Em alinhamento com a globalização económica, é promovido o uso do idioma dominante nas empresas multinacionais que controlam a produção, operando em vários países, através da língua da casa mãe. Como no atual quadro económico há uma elevada probabilidade de essa sede ser num país anglófono, a língua da empresa é a dos países onde está a criatividade, a inovação e o dinheiro. É a língua do poder, de comunicação global e internacional por excelência.   

 

Essa hegemonia, nos tempos atuais, cabe à língua inglesa, tida como impositiva em termos económicos, políticos e culturais. Para os seus opositores tem como maior ameaça a sua caraterística “glotofágica”, ou seja, a sua capacidade para, ao mesmo tempo que se substitui às outras, provocar o seu enfraquecimento ou desaparecimento. Comparam-na a uma “erva daninha” que impede o desenvolvimento das outras, modificando de forma dramática o equilíbrio ecológico no que às línguas diz respeito.

 

Esse perigo aumenta quando o inglês encontra terreno particularmente favorável e permissivo para a sua implantação, em especial em países mais permeáveis, com uma fraca imagem de autoestima e de si próprios em termos económicos, políticos e culturais, onde o que é estrangeiro é que bom, sinal de desenvolvimento e prestígio. Onde se prima pela ausência de legislação que obrigue ao uso do idioma materno na etiquetagem e instruções dos bens importados, ou até, havendo legislação, esta não é aplicada, cumprida ou fiscalizada, não passando de meras exigências politicamente corretas.

 

Cimentou-se, simultaneamente, nas gerações mais jovens, a conceção de uma relação de sinonímia entre o que é moderno e vanguardista e a língua inglesa. 

 

Com reflexos no nosso país e idioma.

 

Exemplificando, tempos houve, entre nós, em que havia um maior gosto cinéfilo no uso da língua portuguesa.

 

Por exemplo, em 1977, aquando do início da saga da “Guerra das Estrelas”, de George Lukas. Hoje, em 2017, o último filme foi anunciado como “Star Wars”. Com a ausência de tradução, para português, de títulos de filmes e séries televisas como: “Mad Men”, “The Walking Dead”, “Newsroom”, “The Good Wife”, “Breacking Bad”, “The House of Cards”, “The Knick” e “True Detective”.

 

Esta omissão, pura e simples, da língua portuguesa, gradualmente extensiva a vários níveis, fere o nosso idioma como língua materna, comum, oficial, costumeira, de exportação e constitucionalmente consagrada, discriminando-a, pela negativa, no seu próprio berço e território materno.

 

Compreende-se e são aceitáveis nomes, expressões e frases em inglês, como língua global e veicular contemporânea mais internacionalizada, mas é incompreensível, inaceitável e inconstitucional que o nosso idioma, na nossa própria casa, seja simplesmente omitido, quando deve e deveria constar, obrigatoriamente, e em primeiro lugar, por óbvias razões e do mais elementar bom senso.

 

Mesmo que se tenha por objetivo, por exemplo, o reconhecimento a nível internacional de uma instituição de natureza científica, devido à certificação e prestígio internacional que o inglês aufere, tal omissão é injustificada, sendo certo que se não somos nós, portugueses e lusófonos, a defender a nossa língua, por certo, e por maioria de razão, não serão os outros a fazê-lo. Nada impede, justificando-se, que em conjunto com o nosso idioma, coexistam outros, mas nunca omitindo a nossa língua como língua materna e oficial, por costume e legalmente consagrada.

 

27.03.2018

Joaquim Miguel De Morgado Patrício

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