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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

A sapiência dos sábios da dor

 

 

     Encerrada para o menino da Síria

     Está a possibilidade

     De chorar

     De olhar o sangue e chorar

     De se sentar como pedem os seus cinco anos de ouro

     E aguardar que do céu

     Não lhe atirem bombas

     Mas antes que dele cheguem

     As estrelas mágicas em jeito de brinquedos obra-prima reluzente

     E tanta inocência irremediavelmente ofendida

     Ecoe no mundo

     E desfaça em pó a pedra de plateia dita humana

     Que somos todos nós

     Os que aguardam outro gesto do menino numa nota de breve compaixão

     Pois que o menino não dorme como nós

     Nós, os das guerras sujas que temos nas mãos e no coração

     Como especialistas do horror num requinte apuradíssimo

     Exactamente daquele que leva as crianças a levantarem as mãos de imediato

     Sempre que uma fotografia lhes seja tirada ou não possa ser a câmara uma espingarda

     Um beijo que dói e mata

     E assim se deve fazer: bracinho ao alto como manda a sapiência dos sábios da dor

     Como manda para que os meninos não morram mesmo que morrer possa ser apenas

     Não ter tempo de crescer

     E disto se desconheça o significado

     Não faz mal

     Afinal só eles conhecem a substância da aurora boreal

     E nós o mal

     Em projecto acontecido na diária queima dos livros

     Local-mundo onde sempre se seguiu a queima dos homens

     E se arrancaram as folhas do tratado do amor

     Aquele que dizem não ser politicamente correcto

     E que é no entanto e tão só

     A chave

     Da nossa salvação

 

Teresa Bracinha Vieira

      Agosto 2016

 

 

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