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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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A valsa: uma partilha de comunhão.


Creio que toda a arte está cheia de uma nostalgia acordada. A arte tem mesmo um lugar que frequentemente se toca com os sonhos, e, quando isso acontece, do longe, vem o som de uma valsa numa acesa comunhão que, sem fronteiras, nos convida a ultrapassar os três tempos para que a completude se nos abrace e com o peso da secreta nostalgia, connosco dance.

O beijo que então damos em intensa plenitude, pode confundir os seres divididos que somos. É um anseio, sim, é também um anseio o que sentimos para que a vida, quantas vezes parente pobre da arte, não se fique aquém, nem se faça além. Apenas dance, dance aquela valsa. Supere os limites do tempo. Comungue.

Mas a seu favor no oposto

vivem-se tempos de grande resignação, de grandes expoentes de normalidade, a que se dá o nome de saúde das ideias. Ora, este excesso dessa saúde, não se insatisfaz por uma vida fragmentada e menor. Pelo contrário, aglutina-a em cimento, confirma-a não corrosiva, enquanto as multidões, numa existência abaixo das potencialidades humanas, criam ordens a que dão nome de tranquilidade, expostas em bandeiras de horizontes dopados.

E só a valsa, realidade esquiva, talvez nem sabendo bem o momento a que nos dá causa, aceita-nos, e dança connosco um morder de bocas tão nostálgico que nada nos prometendo, prometemos nós não a deixar.

E esse é o tudo. É a vida que na arte da sem reserva, dá, e faz sua, a luz que aconteceu.

Sem pretensões as fraquezas são forças e não deixam de perguntar à valsa:

- o que quer de mim uma revolução como a tua que em forma de morango me abraça nesta dança valsa-comunhão?

A valsa, por óbvio, não responde.

A valsa acontece, para que cada um, enquanto vive, retire à sua vida as formas de noite. E que mesmo no mau do mundo, possa morrer um velho dentro dele, mas que resista na esperança forte de a saber fundamentar no até antes.

Basta que saiba que fez um quase tudo o que podia, e mesmo que não tenha dançado a valsa, tenha-a ele ouvido, e, para ele, valha sempre o que valeu.

A comunhão.

 

M. Teresa Bracinha Vieira

Sec.XXI 

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