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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Cine-Teatro Gardunha

 

RECUPERAÇÃO DE CINETEATROS DOS ANOS 50: O CASO DO FUNDÃO

Ciclicamente, temos aqui referido antigos teatros e cineteatros, datados dos anos 30 a 50 do século passado, desativados, quando não arruinados: mas trazemos também notícia de iniciativas das Câmaras Municipais respetivas, no sentido de restauro e reaproveitamento desses edifícios.

 Importa aliás ter presente que o período foi pródigo, em todo o país, na implantação de cineteatros, muitos deles, aliás, projeto de conceituados arquitetos. Foi uma fase áurea da expansão do espetáculo teatral e cinematográfico pelo “interior”, como na altura se dizia. Mas os tempos obviamente mudaram, e a malha urbana, e as comunicações também. A televisão ajudou: e o resultado de todos estes fatores, no que respeita às artes do espetáculo e aos edifícios respetivos não foi o melhor ao longo da segunda metade do século XX. Antes pelo contrário: só mais recentemente assistimos, em grande parte por mérito do poder local, à recuperação de edifícios de espetáculo.

Neste sentido, é de louvar a iniciativa da Câmara Municipal do Fundão. Pois, tal como noutro lado escrevemos, nos anos 60 do século passado foi demolida uma bela sala oitocentista, integrada no chamado Casino Fundanense. A iconografia da época mostra-nos uma pequena sala à italiana, a certa altura transformada por obras de restauro, com camarotes e pinturas no teto e que retomou atividade em 1915. Mas importa porém referir que “sobreviveu” transformado em sala de espetáculos e mais tarde aproveitado pela Câmara Municipal como Museu Arqueológico.

Entretanto, em 1958, é inaugurado no Fundão o Cine-Teatro Gardunha, o qual na época se singularizou pela tecnologia aplicada na construção em betão pré-esforçado. Mas, já o escrevemos, o que mais se notava era o revestimento em cantaria de granito da região e sobretudo o torreão, a que se acede por uma escadaria a partir do foyer, num conjunto de muito boa qualidade arquitetónica. A lotação desta sala era de cerca de 750 lugares. Funcionou como teatro e como cinema, a partir de certa altura só como cinema: até que encerrou atividade já nos anos 90.

E no entanto, ainda hoje se impõe a singularidade do edifício, dominado por uma torre que se harmoniza com a paisagem e com a malha urbana da cidade.

Precisamente: a Câmara Municipal definiu um programa de recuperação e reabilitação do edifício, preenchendo assim uma lacuna a nível das infraestruturas do Conselho, no que respeita a equipamentos de espetáculo. E nessa componente técnico-artística participa José Manuel Castanheira, que tantas vezes aqui temos citado como arquiteto responsável nas áreas de recuperação de edifícios e espaços de espetáculo.

Importa ter presente que esta geração de cineteatros, além de constituírem, em si mesmos, um equipamento arquitetónico que merece ser preservado, representam uma importante expressão cultural, no ponto de vista de conceção, construção e exploração. Por esse país fora, muitos foram demolidos, muitos estão transformados, muitos abandonados: mas há que os conservar e recuperar. E o Cine-Teatro Gardunha do Fundão merece amplamente o investimento cultural e urbano que a Câmara Municipal está a concretizar.

Outros referiremos ao longo destas crónicas.

DUARTE IVO CRUZ

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