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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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CRÓNICA DA CULTURA

Anoto

como se em silêncio,

por agora

 

 

Aprendo a reconhecer anotando o que tento que seja um mapa de interpretação.


Assim também fala a minha voz neste silêncio com diferentes intensidades. Assim também começa, o era uma vez uma árvore da qual nasciam pássaros e ninguém se surpreendia à hora do parto.


Anoto porque é um dos meus modos de falar do que leio e confesso que tudo me fica disperso e ordenado em simultâneo se o faço.


Do modo de assim proceder, surge-me o antes das palavras, e quero crer que haverei também de chegar aos leitores futuros.


Quando anoto, também espreito o lugar anterior ao tempo escrito, e no branco, o desafio do que lhe sobrevém.


Anoto como se em silêncio, por agora já tivesse marcado a paisagem em todos os seus contrários, e logo respondo à minha própria voz, do como foi a experiencia da leitura, se encontrei ou se me despedi, se o que significa está dentro das múltiplas maneiras de quem sabe, o não sei nada, em redor do tudo e da elipse.


Anoto, assim, numa gritaria silenciosa e por agora, a contar pelos dedos, só peço a vida que me falta.


De passagem, em todos os dias quotidianos, a esperança e a promessa regeneram-se ciclicamente.


Cada ir, está sempre entre o poente e o futuro.


Anoto e junto as bordas.


Sudário. 

 

Teresa Bracinha Vieira