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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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CRÓNICA DA CULTURA

Não fui eu e ainda não sou tudo está por caminhos do ainda.
Cada coisa é parte de outra.
Que acesso me dá a solidão? O SMS? 

  


Precisamos que nos aceitem como somos no convívio e no silêncio e nada disto se transmite por SMS.


Insistir que nem sequer se ouça o timbre da nossa voz quando comunicamos com outros é sermos humanos ou é o início do fim do trajeto de quando o fomos?


Ausculte-se a mesa! que pode ter pieira na proximidade de a ela nos sentarmos.


Essa a opção que escolhemos? Essa a nossa nova sensibilidade? Tudo infirme e súmula que a vida do humano assim se persigna?


Parece também que a maioria anda sempre em trânsito; trânsito parado, ou em suposto compasso de ida.


Uma outra maioria toma o caminho dos elefantes e comovem-se e comovem-me ao atravessarem por uma outra entrada.


E os que se julgam de saúde muito rija, e os que muito trabalham para fugir do que os espera, e os que não registaram o quanto o egoísmo lhes eliminou as companhias, e os das muitas pertenças às famílias de grande ou pequena animação - sempre expostas pelo ângulo correto -, tudo enfim, a sobreviver na linha que reparte e parte o que com arte divide os pés nus sobre inúmeros gumes e algumas alegrias, e ainda assim, basta o uso do SMS nesta profunda transformação comportamental que aceitamos.


Ouvi que a lúcida solidão, sentiu que é bem chegada a sua hora de sucesso, a sua hora de acesso à busca de um sentido, de um compromisso de saúde mental que restaure o quanto antes do covid ainda se jogava ao pião de muitos modos, seduzidos numa atividade lúdica que se deixou de viver, e nada deste universo que eramos e ainda nos resta no estar aí, se transmite por short message service.


Não fomos nós e ainda não somos, tudo está pelo caminho do ainda não próximo do Outro, e cada coisa é parte de outra e também é notícia o anúncio da passagem de um astro a quem se deve a gratidão imensa do nosso percurso até Pitágoras.


Teresa Bracinha Vieira

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