Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

CRÓNICA DA CULTURA

  


O momento e a imagem do “rebelde dos tanques”.

Continua por identificar este jovem-exceção enquanto o mundo nos arrasta sem rumo nem descanso.

E como é possível negligenciar-se ou esquecermo-nos destas nossas estrelas-guias?

Como é possível descurar o sofrimento que elege como objetivo a promoção de mudanças positivas no mundo?

Toleramos todos e todos somos cúmplices de graves violações de direitos humanos cometidas ao nosso lado.

Por que não nos move o sonho de direitos iguais para todos? Não temos de acreditar nisso para que nos levantemos com esperança, neste mundo cada vez mais radicalizado?

Sabemos que a todos não nos é possível sentirmo-nos confortáveis apenas por termos direitos que afinal já nos apercebemos que nos podem ser retirados.

As redes sociais, os vídeos, os meios de comunicação poderiam aportar maior consciência dos problemas existentes, mas perpetuam a desinformação do ponto de crise em que nos situamos.

Os homens não têm usado as democracias como o sustento educativo a uma narrativa de raciocínio que usa as ferramentas da cultura como a grande libertação.

O estado dos direitos humanos no mundo exige-nos a consciência de que afinal não fomos de todo sucedidos no fazer jus ao primeiro artigo da Declaração

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.

O apelo constante a normas, tem desenraizado o homem de assumir a sua condição de esquecedor recorrente do sofrer alheio.

De um modo ou de outro, a doença instalou-se.

A pandemia gizada no nicho de cada um com seus dinheiros, posições, elogios, desmotivações e lutas q.b., ilustram bem o quão pouco lhes é o essencial à vida.

John Donne, um dos poetas mais significativos do Renascimento, descreve que esta doença é o próprio inimigo que invade e delibera dentro de cada um a abolição do princípio da felicidade.

Os crimes contra a humanidade tolheram e obstaculizam os direitos de milhões de pessoas.

No campo da saúde, a doença é descrita como uma realidade invasora da sociedade, e os esforços para a conter são apresentados como uma guerra, ou as metáforas militares não se tivessem tornado de uso dominante.

A guerra contra a pobreza, a guerra às drogas, a guerra aos danos colaterais, a guerra à guerra, quando no balanço e no batizo, até as bombas passaram a usar inscrições como «Limpeza» ou «Higiene» como já acontecera na Itália dos anos 20.

A guerra é vista afinal como uma oportunidade de mobilização ideológica a fim de que a ideia de guerra útil se defina sempre como a derrota de um «inimigo».

Dinu Flamand teve e tem a grande capacidade de juntar detalhes quotidianos íntimos de um sítio e de um tempo, expondo a história do verbo ainda não assumido por quem o conhece.

Chasing Hope, o extraordinário livro do extraordinário Nicholas D. Kristof, apresenta-nos a pessoas singulares em profunda luta, pessoas que ele conheceu ao longo da sua carreira, e bem nos demonstra o quanto são exatamente essas pessoas e as suas fantásticas capacidades, que nos permitem permanecer otimistas, não obstante todos os horrores que Kristof presenciou e deu e dá testemunho.

Assim chegou de há muito o momento de não deixarmos morrer de doença prolongada todas as nossas estrelas-guias, quais jovens da Praça da Paz Celestial de todos os mundos.

Na verdade, quando as células do próprio corpo passam a ser o invasor, só a solidariedade global nos salvará.


Teresa Bracinha Vieira

2 comentários

Comentar post