CRÓNICA DA CULTURA
O objetivo de toda a censura é evitar a comunicação e a resposta
Cada vez mais se tem vindo a vender-se como “progresso” a fartura de informações e comunicações.
Propagou-se uma estranha forma de progresso já que o mesmo é apenas o que contém tudo o que promete rápida rentabilidade a todos os níveis.
A euforia tecnológica pressiona só por si, sem tomar em conta as consequências.
É verdade que os acontecimentos se sucedem com uma densidade e frequência crescentes; e também é verdade que a massificação acelerada dos meios de informação provoca fortíssimos estímulos sociais que afetam todas as pessoas.
Porém o desenvolvimento não pode ser medido pela intensidade dos estímulos, mas antes pela adequação e contribuição destes para o aperfeiçoamento de um meio humano mais solidário e livre.
Pelo prisma da comunicação, diga-se, o que caracteriza a sociedade atual é o caos dos significados.
Poucos percebem o que leem, o que ouvem e o que veem e desde há muito que o recetor é utilizado como recipiente.
Quem tem os meios de comunicação, possui a palavra. As imagens determinam as representações e o que se não mostra é como se não existisse.
As sequências televisivas são múltiplas e curtas e apontam ao inconsciente para que não haja tempo para formar o consciente. O objetivo de toda a censura é evitar a comunicação e a resposta.
É trágico, mas a humanidade aparenta uniformizar-se com rapidez.
Teresa Bracinha Vieira