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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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CRÓNICA DA CULTURA

NÚCLEO 

  
    James Turrell


Como noites, as noites voltavam a arrefecer.

Nas noites de lua cheia, viajávamos sempre juntos, viajávamos tanto que perdíamos o medo do fim, de qualquer fim.

Não conseguíamos esforçar-nos mais por uma coisa viva como aquela que vivíamos.

E sobrevivíamos sempre porque nos salvávamos de modo diferente, ou não nos tivéssemos amado tal como um homem e uma mulher de folhas.

Um jardim.

Árvore aberta numa cama de flores de braços e mãos

e entrávamos na eternidade.

Foi tudo tanto que um dia te senti um caos que não sabia passar sem mim, que era um caos só teu, mas com razão de dois, e significava que a fresta se dividia de com tanta força nos unir.

Mas tudo fragmentos da parte e não do todo.

Foram imensas emoções. Tudo nos entrou pela janela aberta, por aquela por onde aparece o núcleo, aquele único mundo que nos diz que os humanos devem aprender a amar-se, mesmo quando não responder possa querer dizer muitas coisas,

e a ternura, a ternura

uma réplica de um romance russo.

Realidade.

Realidades que têm o desaforo do amor e o acesso cor de carmim às glórias, e nós por lá também.

As macieiras carregadas, pacientes, reconquistam-nos em tudo,

e tanto é o que não nos pertence como aquilo em que nos temos

e é por isso que escrevo


Teresa Bracinha Vieira

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