CRÓNICA DA CULTURA
A mentira é quando não se compartilha o alimento.
É mais ameaçador admitir que para manter uma instituição há que mentir, ou que não mentir é algo mais ameaçador que nos faz passar para um mundo sem norma?
É uma questão desestruturante, uma interrogação agudíssima, pois o que significa o caos? Tudo tem e não tem sentido? Qual a chave interpretativa?
Há em estes questionares, uma espécie de incandescência dos pensamentos. Vai-se a muitos lados numa estimulação e num entusiasmo que, quando se sai disso, o mundo amornece tanto que falece em pouco.
No entanto, continuará a vir das perguntas a efervescência da criação, da inteligência, da novidade que estimula a inovação, e pelo bom caminho começa o laço com as coisas que saem por entre os céus do puro idealismo e entram na comunhão de bens com a realidade.
As temáticas das conferências multidisciplinares e rigorosas passam então por saber o que é preciso para sorrir com uma agilidade intelectual tão espantosa, tão amorosa que envolva o imprescindível respeito pelo que é vivo e pela sua condição neste mundo.
A minha homenagem por quem nos deixou há pouco tempo.
Refiro-me a Jane Goodall e à sua lucidez obsessiva para que se redefinisse Homem, para que ele redefinisse o seu interior e o enfrentar-se, para que saísse do seu pedestal e se entendesse por entre as mentiras mais aproximadas das verdades que pudesse consciencializar.
Este um dos grandes fragmentos em falta na vida social humana: a auto-reflexão.
Com profunda humildade agradecerei sempre a Jane Goodall a grande viagem e o imenso despertar, a clareza do quanto a mentira é quando não se compartilha o alimento.
Teresa Bracinha Vieira