CRÓNICA DA CULTURA
(…) et, je suis presque prête
Não sei se mais alguém está à espera destas palavras
e de as levarem como se fossem só de quem as lê,
evoluindo-as para lembrar outras luzes, outros risos, músicas distantes
e girarem com elas para lá das janelas
enquanto os séculos são, sem dúvida,
tempos de mar que ainda ontem
era de múltiplas cores desdobradas.
De facto, as aves migratórias, sentindo a terra girar por debaixo delas, voavam num bando tão cerrado que as luzes se alteravam
e o mar, sempre ele, a pegar nas chaves do céu
e logo um dos anjos,
numa língua de nós conhecida,
diz-nos:
toma, quero dar-te isto que nem sei bem para o que serve,
ou o que farás com esta minha lembrança,
mas são palavras capazes de manter o que quiseres, e já vejo os teus olhos
de novo a lerem este jornal das manhãs a caminho dos trabalhos, das flores,
dos fantasmas, e já passaram mais outros trinta anos sobre outros.
Vai, leva o que escrevo e prepara-te para me ensinares, que eu estou quase, quase pronta
para aprender
o quanto preciso de ti para me sentar
a comungar a romã efémera e imortal.
Sim,
et, je suis presque prête
Teresa Bracinha Vieira