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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

CRÓNICA DA CULTURA

(…) et, je suis presque prête

  


Não sei se mais alguém está à espera destas palavras

e de as levarem como se fossem só de quem as lê,

evoluindo-as para lembrar outras luzes, outros risos, músicas distantes

e girarem com elas para lá das janelas

enquanto os séculos são, sem dúvida,

tempos de mar que ainda ontem

era de múltiplas cores desdobradas.

De facto, as aves migratórias, sentindo a terra girar por debaixo delas, voavam num bando tão cerrado que as luzes se alteravam

e o mar, sempre ele, a pegar nas chaves do céu

e logo um dos anjos,

numa língua de nós conhecida,

diz-nos:

toma, quero dar-te isto que nem sei bem para o que serve,

ou o que farás com esta minha lembrança,

mas são palavras capazes de manter o que quiseres, e já vejo os teus olhos

de novo a lerem este jornal das manhãs a caminho dos trabalhos, das flores,

dos fantasmas, e já passaram mais outros trinta anos sobre outros.

Vai, leva o que escrevo e prepara-te para me ensinares, que eu estou quase, quase pronta

para aprender

o quanto preciso de ti para me sentar 

a comungar a romã efémera e imortal.

Sim,

et, je suis presque prête


Teresa Bracinha Vieira

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