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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  
    © Lusa, 2007


247. NOS 120 ANOS DO NASCIMENTO DE AGOSTINHO DA SILVA


Há 120 anos, neste dia, nascia Agostinho da Silva, professor, filósofo, escritor, ensaísta, poeta, educador, pedagogo, filólogo, biógrafo, tradutor, novelista, articulista, autor, conferencista, epistológrafo, urbanista, sociólogo, um visionário que não aceitava nenhuma forma de dogmatismo, que discorria sobre os perigos do consumismo, onde o ter se sobrepõe à essência do ser humano, tornando este escravo daquilo que julga possuir.   

Um humanista de espírito livre, multifacetado, inconformista, com uma marca distintiva de originalidade, futurista que antecipou a urgência da abertura ecuménica, da ética animal, da consciência ecológica, da criação de uma comunidade luso-afro-brasileira e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.   

Dizia que “nascemos para procurar a verdade; possuí-la é pertença de um maior poder…O mundo é escola de investigação. Não ganha quem corre mais, mas quem corre melhor… se toda a escola devia ter uma biblioteca do que já se sabe, devia ser-lhe paralela outra, ainda mais fecunda: a do que não se sabe”.     

Defensor de um mundo pluricultural e universalista, dos ideais de São Francisco de Assis, do pensamento do monge cisterciense Joaquim de Fiore (que recuperou no culto do Espírito Santo), admirava profundamente Portugal e o povo português por albergar em si “tranquilamente, variadas contradições”, o que nos predispunha e fazia de nós uma “ideia a difundir pelo mundo”, não no sentido de convencer os outros a perderem a sua singularidade e a serem como nós, mas a se reconhecerem plenamente em si próprios, dignos da sua diferença, não porque superior a qualquer outra, mas pela sua individualidade.     

Tido como um homem íntegro, que agia em coerência com o que defendia, a quem alguns apelidavam de Profeta do Terceiro Milénio, Mestre ou filósofo do povo (como vedeta televisiva, em “Conversas Vadias”), afirmou-se sempre como um Português de primeira água, quer em relação a Portugal, ao Brasil e demais países lusófonos, sendo a antítese do pessimismo, da carência de autoestima e do culto de dizer mal de nós.   

A sua crença “quinto-imperista”, quanto ao futuro incentivador que nos esperava, dava-lhe uma autoconfiança e segurança ilimitada sobre as nossas capacidades, não só para resolução dos nossos problemas, mas também para se constituírem como uma referência para os outros, servindo de ponte entre culturas. 

Perguntaram-lhe, pouco antes de morrer, se continuava a crer no Quinto Império, e respondeu: “É claro que acredito no Quinto Império, porque senão o ato de viver era inútil. Para quê viver se não achássemos que o Futuro vai trazer-nos uma solução que cure os problemas das sociedades de hoje?”.     

Eis, pois, que o Futuro pode começar sempre agora.   

Eis, também, que o pensamento de Agostinho da Silva persiste, sobrevivendo e ultrapassando contingências, aberto à sistematização e com uma preocupação constante pelo futuro do mundo.   


13.02.26
Joaquim M. M. Patrício

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