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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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CRÓNICAS PLURICULTURAIS

  
    Dan Brown © Martin Divisek/EPA, Lusa 2025


248. A VIDA DEPOIS DA VIDA


Se, como disse Descartes, “Penso, logo existo”, conclui-se que com a morte física deixamos de pensar, pelo que deixamos de existir. 

E se a nossa realidade existencial não for apenas corpo e mente? E se existir outra consciência que persiste apesar da morte física? 

Acima da consciência local, cerebral ou neuronal, que desaparece com a morte, há uma supraconsciência (Manuel Sans Segarra) ou uma consciência não local (Dan Brown) que persiste noutra dimensão?   

Segundo especialistas, há cada vez mais situações, medicamente documentadas, de pessoas que quase morreram (experiências da quase morte) e que, de repente, ao serem ressuscitadas, reproduziram tudo o que a equipa médica fez e o que o pessoal clínico dizia (o que, a posteriori, foi confirmado), referindo ainda contactos com entes falecidos e seres luminosos (anjos) que as chamavam e orientavam.   

Essa supraconsciência não local, que se desliga do cérebro, é tida como a nossa consciência autêntica, a nossa verdadeira identidade. É a manifestação da consciência primordial que existe em cada um de nós, para muitos a origem de todas as religiões, ao invés da consciência local, uma identidade materialista que define o nosso ego. 

Se acreditamos que as religiões que sobrevivem são as que prometem vida após a morte, podemos ser levados a pensar que todos somos parte de um grande círculo cósmico e unificado, em que há uma conexão de todas as coisas, embora dividido em várias mitologias para explicar aquilo que até agora não entendemos.   

Segundo Dan Brown, agnóstico e com a sua espiritualidade, a noção fragmentada das religiões vai desaparecer, quanto mais compreensível a conexão entre tudo, pelo que mais seletivas serão, sendo preciso a ciência para as derrubar, o que leva tempo, acreditando que as substituirá e, um dia, no futuro, “quando os filhos crescerem os pais vão ensinar-lhes coisas sobre consciência cósmica, consciência não-local, sobre as possibilidades de vida após a morte e o facto de estarmos todos interconectados. Não vão levá-los à igreja, nem contar-lhes uma história sobre a ascensão para o céu” (em entrevista ao Expresso).       

Porém, aqui chegados, intui-se sempre que ciência, tecnologia e teologia têm o mesmo assombro perante o mistério.

Muitos acreditam, por exemplo, que a ciência substituirá as religiões, o que nunca sucedeu, pois pela própria essência da experimentação permanente, as novas descobertas estão condenadas à efemeridade, surgindo outras alternativas que superam as anteriores, subsistindo novos mistérios, a começar pela ciência. Mesmo a ciência nunca foi a medida de todas as coisas.     

Parece indiciar-se, gradualmente, à medida que as investigações avançam, que a nossa existência não é apenas corpo e mente, muito menos materialismo em que a matéria é a base de toda a realidade, mas também espiritualismo (não necessariamente religioso), superior e para além da matéria, ou noutra dimensão, embora cientificamente ainda haja muito por provar em termos de racionalidade humana.     

Ou será que a consciência é um mero acaso nas teorias científicas, dado que o “cientificismo” não explica convincentemente a vida e mente humana consciente que está para lá do materialismo e naturalismo do corpo?


20.02.26
Joaquim M. M. Patrício

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