Embora As Asas

Sim, haverá uma colmeia
E nela eu
Abelha
Na minha meia-noite
Numa plenitude de asas
Vou erguer-me
E vou
Parto da noite para o dia
Galgo o mel
E logo vejo
À beira do céu
A estrela azul
Ló onde
O tempo afinal
Entregue ao descanso
Das pedras tecidas com fio de seda e aço.
Não, não fui capaz de ser a ave branca
Aquela que flutua na espuma do mar
Meteoro de abelha enfim
Cera de vela
Apenas
Esperança, desejo ou medo
Tudo carmesim enquanto morre
Talvez
Mas sempre as crinas, os tumultuosos cascos
E os deuses, esses atentos e intemporais que somente eles
Não fecham os olhos
Teresa Bracinha Vieira